segunda-feira, 31 de outubro de 2005

Recado ao Senhor do Idioskosmos:

"Por esse pão pra comer, por esse chão pra dormir
A certidão pra nascer e a concessão pra sorrir
Por me deixar respirar, por me deixar existir

Deus lhe pague

Pelo prazer de chorar e pelo “estamos aí”
Pela cachaça no bar e o futebol pra aplaudir
Um crime pra comentar e um samba pra distrair

Deus lhe pague

Por essa praia, essa saia, pelas mulheres daqui
O amor malfeito depressa, fazer a barba e partir
Pelo domingo que é lindo, novela, missa e gibi

Deus lhe pague

Pela cachaça de graça que a gente tem que engolir
Pela fumaça, desgraça, que a gente tem que tossir
Pelos andaimes, pingentes, que a gente tem que cair
Por mais um dia, agonia, pra suportar e assistir
Pelo rangido dos dentes, pela cidade a zunir
E pelo grito demente que nos ajuda a fugir
Pela mulher carpideira pra nos louvar e cuspir
E pelas moscas-bicheiras a nos beijar e cobrir
E pela paz derradeira que enfim vai nos redimir

Deus lhe pague"

Chico Buarque

sexta-feira, 28 de outubro de 2005

Quebrando o bico:

Se nos atemos a uma visão linearista, só podemos viver um momento que sempre será passado. Ate a luz sair do Sol, atingir uma pessoa, entrar em nossa retina e chegar à região occipital, vários universos nasceram e se colidiram entre si. E as leis cientificas “perenes”, nossas queridas leis, são apenas o grito de desespero de uma sociedade que ainda não conseguiu digerir Heráclito.

O tempo, estrutura interna da angustia, corre impreterivelmente, muda as coisas e seus mundos abrem e fecham contextos... O tempo, não culpado, apenas tempo, ele, que humanizado em Fortuna, recebe de forma tão voraz as culpas que a humanidade lhe atribui, se diverte com essa situação, com essa ilusão, com essa mania de se dizer que as coisas funcionam por leis, regras, que as coisas são. QUEM SE ACHA CAPAZ DE DIZER ALGO TAO ARROGANTE COMO “ALGO é”????

Na verdade a Vida, é como aquela gostosa da Kaiser, que vive nas nuvens, e que nenhum ser humano tem a coragem de comer.

terça-feira, 11 de outubro de 2005

Corpo e Mundo

Tal como o ser-para do Instrumento (Heidegger), identificamos o ser de nosso corpo quando ele "quebra", literalmente.

O que antes era o fundo de nossos atos no mundo, pede sua atenção como figura. Funções tão despercebidas como o salivar passam a serem encaradas como mais essenciais que o comer, beber, ou qualquer coisa exterior ao corpo, O corpo todo se destaca como um objeto, um empecilho a nossa realização no mundo.

E foi isso que eu pensei durante minha dor de garganta... (Ai, meu pinguim!)

segunda-feira, 10 de outubro de 2005

Pecados...

Olha, há algun tempo atrás, quando não podia pensar em brincar de ser adulto, toda causalidade era verdadeira, e murphyana: prazer-dor. Complexo persistente, lógica simétrica.

Nesse momento, vendo meu pequeno pinguim a girar constantemente no ar a socar meu estômago, sendo eu nesse momento somente estômago e garganta, pedindo desesperadamente que tudo acabe, prestes a vomitar...

Se Deus não tivesse morrido com um beijo ("Judas, com um beijo trais o Filho do homem?", Lucas 22:48), talvez a lógica divina teria perpetuado... Quanto trabalho teria, oh! Santa Psicologia, pastora dos pobres de espírito!

Meus agradecimentos a este beijo, Judas!

sexta-feira, 7 de outubro de 2005

Carmina Burana

Uma ópera geralmente é uma torrente de sentimentos. Tanto com a música quanto na sua ausência. É tudo questão de figura-fundo: quando as luzes se apagam, só sobra-nos um foco, uma vida, que não é realmente nossa, mas que se incorpora a nós por extrema necessidade.

Ela, como normalmente ocorre com todas as obras artísticas humanas, busca por um fim. Insana procura, nós nunca lidamos nem conseguiremos lidar com pontos finais. Eles possuem vida própria, qdo eles vêm, pronto!

O interessante desta ópera é que ela temina no começo... ou começa pelo fim. Ou seja, sem pontos finais, a pura realidade: o que se repete é o real (Lacan). É a Roda da Fortuna, que mostra nossa desgraça matematicamente: se o seno de sua vida é 1, naturalmente ele tenderá para -1. Vê, o número é igual, porém são qualitativamente diferentes. São valores opostos que se conciliam.

Ademais, dou parabéns a todos os envolvidos nesta magnífica obra.

"FORTUNA IMPERATRIX MUNDI"!!!

quinta-feira, 6 de outubro de 2005

terça-feira, 4 de outubro de 2005

Relatividade

A vida é simples quando se deixa ser simples. Este "se" é a própria vida ou nós?

Não digo mais que o pensar traz sofrimento. Ele traz felicidade sim... mas às vezes... a felicidade vem, e você nem quer pensar mais. Uma coisa simples, e meia hora pode mudar um dia. Porém, 10 minutos podem ser bem mais avassaladores. E tamanha força pode desfazer-se com uma simples palavra. Simples assim.

segunda-feira, 3 de outubro de 2005

Gerar...

1o: Numa dada época, os animais sofrem toda uma mudança hormonal e corporal, que os colocam em plena preparação...

2o: Se o animal for o bicho homem, logo ele tem que excomungar o sentimento de culpa, o que dura em média 50 minutos.

3o: Os seres vivos sempre realizam rituais incompreensíveis. Mas, para muitos, ou não, há alguns rituais concordantes. Concorda, acordo, concorda. Simples.

4o: Amenidades 1: Seria o oposto do silêncio insuportável? (mesmo sendo tão difícil quanto?)

5o: Pouco seres vivos vivem isolados. O Mundo é pequeno demais...

6o: Esqueça o "você vem sempre aqui?". Vide Amenidades 1.

7o: Dizem biólogos que, desde que algumas células deixaram de replicar-se para trocar genes, o que se propagou pela cadeia evolutiva, pode-se verificar o que se chama hoje de morte - Ah!, aquela maçã!...

8o: A água, como vê-se no episódio de Pilatos, é símbolo de purificação dos pecados. Não custa tentar, nem que esta seja a extrema unção!

9o: Amenidades 2: Nem o silêncio incomodaria este sublime momento...

10o: Isso leva ao nascimento! sim, o pequeno pinguim pode agora tropeçar por ai e aproveitar sua curta vida. Viverá não mais que 5 dias, mas cada um com um gosto mais refinado que o anterior. Ah!, pequeno pinguim... !