quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Entre flechas e caças



Dentro do narcisismo e da transitividade entre meu corpo e o exterior em seus dentro e fora, algo transpassa a carne, dilacera a coesão entre os dois - fazendo-o dois - ao mesmo tempo que mantém sua união.
A lança do desejo aponta por si mesma não em um polimorfismo extremo, mas na qualidade de um caçador, que se percebe o que quer acertar, e com que finalidade.
Cuspo ao mundo minhas mágoas, mas o mundo inteiro é o cima...
Há passividade na atividade, todo guerreiro tem uma tribo a qual cuidar, tem que comer e sobreviver... mas também o masoquista domina e seduz seu torturador, e sua dor é flecha que penetra com as pontas para fora.
Entrar para dentro só é Pleonasmo com Deus. Senhor-referência, que coloca tudo num lugar exato. Entretanto, já morreu, cruxificado, foi-se. Óh, Nietzsche, onde é que eu entro então? Se aqui fora só me encontro com pulmões podres, corações partidos e mares de bílis, e aqui dentro me é imposto coisas aéreas e letradas, superiores... a o que?
Sem dentro nem fora, entro em mim, saio num mundo tal como Malkovich Tantos eus que nem sei mais quem sou - não existo em mim.
A flecha de Óxossi atinge seu próprio estômago; a de Sebastião, matou a humanidade.

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Descoberta já suspeitada...

É... meu pinguim está cancerígeno.... Este ser hediondo, incontrolado, em seus devires nonsense, agora cresce irremediavelmente, atinge proporções incalculadas de Tudo e de Nada. Ora quer, quer mais, busca tudo, vai e me consome como uma lata de sardinhas... Ora cessa. Emudece.

Mas ainda sim cumpre seu destino que é fazer com se se irrompa em mim a agonia da preguiça, a imobilidade dos braços, a falta de força mental, tudo, tudo isso para que eu entre no maior devir entrópico, absoluto, devastador.

Deve ser o calor, talvez...