domingo, 19 de dezembro de 2010

Algumas frases para Amit Goswani

"o idealismo é também objetivista, no sentido em que objetiva os estados de consciência considerados por ele como a única realidade" Destouches-Février, citado por Merleau-Ponty, a Natureza.

Assim, a noção de consciência, tal como é adotada no ocidente, é incapaz de dar conta dos resultados da mecânica quântica. Duas soluções:

- ou Goswani deixa de chamar sua teoria de "monismo idealista", já que sua noção de consciência é oriental;

- ou abole-se a noção de consciência e assume-se que o ser não é auto-consciente, mas identidade na diferença, carne.

Outro ponto: "Se uma filosofia puder corresponder à mecânica quântica, será uma filosofia mais realista, cuja verdade não será definida em termos transcendentais, e também mais subjetivista. ao 'Eu penso' universal da filosofia transcendental deve suceder o aspecto situado e encarnado do físico" (Merleau-Ponty, A natureza, p. 156)

Contra o filme "Quem somos nós?"

"A realidade dependeria de nosso arbítrio? Não a realidade,m mas a imagem pela qual a entendemos. Não podemos aprender que quer que seja sobre o átomo senão através da experiência; ora, a experiência é uma violação da natureza. Em suma, forçamos o átomo a comunicar-nos as suas qualidades numa língua adaptada" (C. von Weizsäcker - "o mundo visto pela física", citado por Merleau-Ponty, a Natureza, p. 156-7).

Após esses e outros pontos, conclui-se que a física não pode ser realista (o monismo materialista de Goswani), pois nunca se coincide com o objeto em si; nem idealista, mas sim um realismo parcial.

sábado, 20 de novembro de 2010

Desejo como excesso do mundo

Merleau-ponty encarna a alma no corpo, e o corpo no mundo sensível. Sou um visível entre outros, mas também vidente deste. Como estou no meio do mundo, o que vejo não é de fora, mas facetário, sob perspectivas imcompossíveis, e com uma profundidade invisível. Por fim, há o horizonte, aquele que se apresenta sob o modo de ausência.

Não que falte algo. O horizonte está ali, no fim de nossa percepção, quase que por detrás dos vales e montanhas que apreciamos à vista. Desde que Colombo experimentou no ocidente a circunferência em que vivemos, corremos ao Oeste como que perseguindo o final de um arco-íris. Sempre presente, mas nunca alcaçado, este é o horizonte. Galeano já dizia que a função deste era não o objetivo da chegada, mas o próprio caminhar. Como uma teleologia sem fim, o Horizonte é o que está presente e eficaz, mas sob o modo de sua ausência.

Entretanto, essa não é uma falta, como numa totalidade em que nos falta uma peça impreenchível. é a totalidade da abertura de um mundo auto-contido, da Terra, um horizonte que está ausente pelo excesso. Nunca alcançamos o horizonte, pois o mundo sempre nos excede. Esse é o Grande Outro Lacaniano, não um oceano de ligações significantes que nos transpassa, mas sim o oceano mesmo, a terra mesma, a atmosfera mesma, o fogo mesmo, a carne de nossos corpos. A grande mistura iminente, a invasão bélica de um no outro, o infinito assintótico jamais determinado matematicamente, o buraco negro que retorce o espaço em um toro que cria o horizonte de nossas possibilidades.

Desejo é ser visível vidente, aberto a um mundo inesgotável, condenado a se expressar a cada gesto, até a morte, quando tornamo-nos apenas um visível, ainda portando alguns privilégios funerários, mais agora totalmente transpassado pelo sensível, somente com uma iminência fantasma de sua anterior atividade.

A pessoa amada não é objeto substitutivo do seio, como em psicanálise. Primeiro, proque o seio não é uma glândula mamária, mas um portador de uma forma de ser no mundo, uma relação com a boca, de incorporação. um sistema, como em Deleuze das máquinas emissoras e cortadoras de fluxo. É um modo geral de ser, um sistema de equivalências.

E a pessoa amada, mesmo que inserida nessa corrente de sentidos perceptivos que tem como nível a primeira relação com o seio, não é um objeto isolado. Ela é uma composição com o meio, como em Proust, onde as mulheres remetem às paisagens e às paisagens remetem às mulheres. o desejo é social, como em Deleuze, pois visa uma generalidade, uma composição, um sistema de coisas, pessoas, paisagens, ou seja, um mundo. Por generalidade última, originária, o primeiro berro do bebê é desejo de mundo.

Não há um prazer e uma frustração vinculados à satisfação ou não de um desejo. O desejar já é ato de fruição de mundo e de atrito com ele, gozo e desejo, em termos lacanianos, se imiscuem no movimento.

Deleuze compõe sua filosofia em termos dinâmicos, seus conceitos são linhas de força, compõe uma geografia. Os conceitos merleau-pontyanos são campos de força, compõe uma topologia. Não há nele puro movimento, como el Deleuze e Guattari, nem o estatismo da filosofia cartesiana. é uma tensão, um dinamismo, uma errância que não sai do lugar, como o nômade deleuziano. A carne não é tenra, ela é trêmula, tensa como um músculo prestes a pulsar no movimento, como se a duração do tempo pudesse ser compreendida sem que fosse dividida em momentos estáticos, nem isolada como uma positividade em si.

Não há "devir" em Merleau-ponty, mas este também não lhe falta.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Quando a carne se rompe...




O rompimento da carne é o movimento perceptivo que estraçalha os existenciais, e no faz ver com novas perpectivas. Não é uma mudança estrutural, mas um rompimento violento, um rasgo, uma ferida que se abre e que deixa jorrar os sanguinolentos signos desterritorializados, de forma a compor um traçado psicótico da vida. Se usado corretamente, se provocado, se implodido com dinamites previamente localizadas na fundação, pode-se criar algo novo.

Se explode, tem-se um prévio momento de angústia, correspondente ao movimetno de espansão das chamas e das ondas destruidoras. quando tudo está abaixo, nossa percepção só tem diante de si escombros do mundo, e tem de viver com eles... O momento psicótico da nuvem de poeira abaixou-se, e o que sobra é o campo do CsO, improdutivo e desértico, por onde transpassam sem rumo diversos fluxos de pura diferença... esse é o momento do Tédio. Pulsar monocórdio da paisagem puramente plana e lunar, entretanto sem crateras. a frente resta somente o inescrutável horizonte, que agora não é de sentidos, mas de restos... o perverso tediófilo alimenta-se de restos, não há mais falo, tudo é falo, sapatos, roupas, dinheiro, não há leis, há um percorrer de leis que se entediam a si mesmas por puro gozo lacaniano, que se reverbera e pulsa, infinitamente, fechado em si, pouco propoenso a divergências.

Separação - emoção - tédio. Sobrou-me um pinguim desterritorializado, um mundo reduzido ao que lhe cabe na mão, um imaginário tendencioso, que se atira ao nada de quando em quando...

Nada se planta e nada se colhe.

resta-nos o "Algo".

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Quando os dados extrapolam nossos olhos...

Um dos problemas das teorias sistêmicas é que lhes faltam concepções sobre as mudanças de fase. Conceber uma estrutura a partir da complexidade lhes parece ser uma forma de unir diversas disciplinas em um único movimento. entretanto, acabam tendo problemas semelhantas às das disciplinas "solitárias", que buscam reduzir os fenômenos a um único universo: o psíquico ao biológico, e este ao físico-químico, ou os fenômenos pspiquicos-socias à história.

Por exemplo, neste site, a rede de peptídios que interligam os sistemas neuronal, hormonal e imunológico foi denominada de rede psicossomática. Ora, é claro que nossa psiquê não existe sem o cérebro (não que este somente faça a diferença, ele é um momento em um desenvolvimento das espécies animais, juntamente com inúmeros outros desenvolvimentos simultâneos), mas ela não se confunde com ele. Esses grandes domínios, que geram inúmeras brigas em suas articulações, como:

- o psíquico com o social (Sociologia e Psicanálise, de Bastide, dá um amplo panorama dessa questão);
- o psíquico e o social com o histórico;
- o biológico com o psíquico;
- a passagem do físico-químico ao biológico, não tenho certeza do andamento da área. Parece haver um acordo maior;
- também entre dimensões físicas de estudo, como o cosmológico e o quântico. ainda encontra-se em estudo uma forma de integração da teoria de Einstein no corpo da mecânica quântica, um teoria quantica da gravidade. A teoria da supercordas com 10 dimensões parece ser promissora.

Entre eles, há muito o que compreender, principalmente porque parece haver uma "quebra de leis": as leis físicas da Mecânica quântica não conseguem abranger a gravidade, pois essa força é muito pequena e somente efeito a distâncias cosmológicas. Outro exemplo, o mundo físico e químico parecem corresponder a leis mais rígidas e matematicamente descritíveis, enquanto que a vida, segundo o filósofo Merleau-Ponty (livro "A Natureza"), parece seguir a normas mais flexíveis, que determinam um limiar máximo e mínimo (assim, o estado normal de um fenômeno concentra-se em uma faixa, como nos hemogramas: não há um número exato de leucócitos no ser humano normal, mas um máximo e um mínimo). (ver "Mundo como expressão")

Já no psíquico, entre consciência e inconsciência, Politzer coloca haverem diferentes linguagens. Uma linguagem pode ser grosseiramente descrita como uma estrutura espressiva aberta, cujo sentido ultrapassa a somatória dos termos que a compõe.

Voltando, integrar sem reducionismo, implica compreender a complexidade dos fenômenos, sem acarretar uma homogeneização nem uma redução das categorias. Há transições, e elas devem ser levadas em conta.

Merleau-Ponty, sobre a questão da vida, diz que essa surge a partir de um ôco que foi criado a partir da físico-química, surgindo como uma nova forma de relação. ôco não é falta, mas estruturação de uma dimensão. Por exemplo, na teoria do coacervado, pode-se dizer que as substâncias químicas entraram em relações recíprocas que acabaram por compôr uma nova estrutura, que propagou-se posteriormente por si mesma. Seguindo a teoria descrita por Capra em "A teia da Vida", as substâncias químicas adquiriram, por Gestalt, a capacidade de autopoiese, de reprodução de si, e de sintropia (estruturação em níveis energéticos mais elevados, de certa maneira formalmente oposto à entropia física).

Dizer psicossomático é reduzir o psíquico ao aparato cerebral. A tentativa teórica é boa, mas sua perspectiva acerca dos fatos necessita de ser trabalhada pela própria teoria, em feedback.

Mundo como expressão

"Lei" e "norma" são formas de expressão equivalentes, em nossa linguagem convencional, ao que no universo são os movimentos das das estrelas e na vida a regulação imunológica do corpo. Não há, no interior de cada núcleo atômico, uma fórmula E=mc2 em seu interior e que regularia sua fissão em uma bomba atômica. Na verdade, mesmo a partícula sobatômica não pode existir como uma caneca ou um livro, visível e palpável à nos, mas sua existência se faz através da intersecção de inúmeras formas de linguagem que, numa rede complexa, equivalem aos fenômenos visíveis que se esboçam nas telas das grandes máquinas de detecção. está na hora de se conceber existências através do retumbar da diferença, que cada vez mais força nossa perspectiva de mundo a sair de seu antropocentrismo, a devir por vários caminhos.

Pode-se, talvez, generalizar a concepção do corpo como expressão para outros fenômenos, e assim relativizar nossa compreensão realista do mundo.

Auto-explicação por insight

Percebo que, de todos os movimentos que inicio por vontade que faço minha, e que perecem por vonta própria (dele mesmo), estão vinculados há uma teologia e a uma cosmologia (e acabam por discutir também uma gnosiologia, uma ontologia, que acaba de vez em quando pendendo a uma metáfisica).

Pretensão do escritor, somente se vocês, leitores, sentirem que o fato de categorizar um grupo disjuntivo de orações por nomes altamente "statizados" significa exatamente elevá-las a essas categorias. As palavras acima são descritivas de campos de assuntos, e não categorizações.

Das Camadas transpassadas pelo tédio e sua posição topológica.



Se a estrutura neurótica é uma grande árvore rizomática que estratifica os devires em uma "consciência", que se diz digna de si e que acaba por sofrer ataques de diversos parasitas, lagartas e fungos, mas que mesmo assim conseguem, muitas vezes manter suas rotinas reguladas pelas estações.

Em volta de suas grandes raízes axiomáticas, sempre invadindo esse círculo limítrofe em um ponto ou outro, encontra-se o núcleo psicótico da personalidade, que é na realidade um grande gramado de raízes rizomáticas, brotando com seus devires por todos os lados, alimentando-se dos restos mortos e das estruturas arbóreas de nossas instituições neuróticas e paranóicas.

As raízes, tanto arbóreas quanto rizomáticas, penetram no grande solo da mãe perversa, macho-fêmea, aquela que pare seus filhos, os nutre e os corrói, aquela que está para além de qualquer limite, no solo ou na poeira do ar.

Abaixo dela, vê-se o magma libidinal que percorre as ligações rochosas e das destruições em massa.

Abaixo, o núcleo, férreo, permanece rotacionando em sua posição central, quente, comprimido, tenso como se suportasse o peso do mundo. move-se em intensa velocidade, mas não corre pradarias, apenas depara-se consigo mesmo, inerte, posicionando tediosamente as bússolas de todo mundo numa chata comunhão universal. Esse é o Tédio, campo de força mais que movimento, polarização en direção à si, não um dipolo, nem um monopolo, mas um "si-polo".

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

O que alimenta nossos sentimentos?

As pessoas essencializam o sentido da vida em sentimentos de amor ou de dor, dependendo da imagem que tem de seus copos d'água. Tais sentimentos, que transpassam tão momentaneamente suas vidas, sendo percebidos em fulgazes relances da consciência, não conseguem por si só sustentarem uma existência humana.

Veja o amor. Por mais amorosa que seja uma pessoa, por mais feliz que se encontre, seja essa bonança alguma mal-formação de seu espírito ou apenas um grande acúmulo de capitais culturais, sociais, econômicos, etc, não pode estar presente intensamente, em forma pura, durante um período de tempo prolongado. Entretanto, sua ausência não é uma negatividade, falta de algo que nos completa. Se assim fosse, toda falta de amor consistiria na busca pelo mesmo. entretanto, o que se vê é que o amor pleno logo se substitui por outros sentimentos, simplesmente pelo dinamismo vital. Nossos interesses variam grandemente durante o dia e, quando estamos sérios, cansados, ou em outro estado dito de consciência, não falta o amor, este apenas não está em destaque.

Há de ser corroborar então pela positividade de uma multiplicidade de sentimentos que transpassam o sujeito, de modo que, a cada momento, uns ganham hegemonia sobre outros.

Não apenas isso, mas os sentimentos não são átomos isolados que interagem entre si, são mais uma estrutura em que cada um se define em relação aos outros. Assim, para Proust, a essência do amor é o ciúme.

O que se tem aí é um complexo movimento de subjetivação, que envolvem moléculas hormonais, cultura institucionalizada, vida familiar, acontecimentos presentes, passados e expectativas, etc etc etc...

Mas, abaixo de tudo isso, há um movimento que anima cada sentmento, cada movimento, e permite à estrutura que se movimente conforme sua dinâmica imanente.

O humor e o tédio são o magma do movimento psíquico. eles são como as pulsões de vida e de morte de Freud, lutam abaixo de toda a estrutura emocional, podendo estruturá-la, reestruturá-la, e até demolí-la em fragmentos.

Assim, o amor pode ser entusiástico, mas pode também-se render ao tédio. Há algo de mais fundamental nesse par de forças, que parecem transcender o sujeito. Há instituições humoradas, mas a maioria tende para o tédio dos movimentos repetitivos. O humor é mais criativo, feliz ou deprimente, ele controla à tendência à inércia do tédio, que busca a invariância e a consciência desta. O humor não se restringe à consciência, ele perpassa e lubrifica os movimentos, faz escorregar até o próprio tédio.

Tédio não tem a ver com ócio. Esse pode ser um sintoma do tédio, mas também é espaço criativo, libera as amarras lógicas e deixa os pensamentos correrem em conexões mais ágeis e flexíveis.

O texto aqui está parcial e imcompleto, não é fenomenológico nem artístico. É mais um vômito, com sua viscosidade impregnada de restos estilhaçados de algo que poderia, se seguisse seu trajeto cotidiano, compor-se em longas cadeias de uma estrutura harmônica e vital. entretanto, o pensamento não é um processo vital, mas sim um acontecimento que infelizmente se prendeu a cadeias de estratos que ressoam em tédio. Não segue, em seu caminho comum, cadeias lógicas, mas muitas vezes surge como blocos mal-conexos que se arrastam e sem nenhuma função, além de seu próprio movimento. Pouco criam, mas se entulham na Internet. Ao menos, esse não se pretende, e ressalvo aqui, a se constituir em um conhecimento plausível e de impacto.

É que, meu pinguim maroto, tremento sobre meus olhos, clamando por seu peixe, acaba por alimentar-se de meu tédio, retirando-me do texto que tinha que ler para digitar aqui palavras já esquecidas.

Do objeto do Tédio e a Epistemologia cruzada de "prováveis imcompossíveis".

Teria a matemática e a física uma linguagem ontológica? Claro, a matemática em relações abstratas, busca uma sequências de estruturas que se derivam, não é imanente, pois há axiomas que regulam de fora seus movimentos... a física estrapola a matemática para uma leitura do mundo, fazendo o duplo caminho da interpretação de dados e da modificação destes, através de inúmeras formas de leitura diferentes.

Bom, longe disso, haverá contatos entre as teorias físicas com o mundo. Claro, A filosofia, que busca em Merleau-Ponty um contato originário com o mundo, trilhando uma ontologia indireta, sabe bem que só por meio da linguagem pode-se clarificar esse acesso à experiência do Ser. Já a física, utiliza-se de uma outra linguagem, a matemática. Porém, o mundo com o qual ela entra em contato é muito mais indireto, o mundo dos instrumentos gigantescos para análise do infinitamente grande e do infinitamente pequeno.

infinitamente, pois o que se tem desse mundo é somente o rastro, a sombra, o fóssil. Ele não é a experiência mesma.

Ora, dizem os físicos, nunca nossa mão tocou em algo, os átomos de nossa mão repelem os dos objetos a serem tocados, nunca há contato. Entretanto, a experiência que temos é mesmo de uma promiscuidade com as coisas, mistura, completude sempre iminente e nunca efetivada, mas sempre ali, como uma sombra.

Como conciliar essas visões? A física avança pela distância que toma do objeto que percebe, a filosofia (de Merleau-Ponty), avança no contato íntimo com elas. Podemos não ver o fóton do vermelho, nem temos em vista um quale puro desse. Se a partícula é também energia, se o quale é uma impressão diferencial de um campo, se na física mesmo o campo parece solucionar a simetria da matéria, não há uma distinção entre o formal e o substancial, mas uma intimidade entre os dois.

Ao menos nesse sentido, tem-se um projeto comum.

Talvez, o melhor é abandonar a idéia de um conhecimento que progride por acumulação, e adotar a descontinuidade dos pontos de vista: Newton, Einstein, Quânticos, cada qual vê de diferentes perpectivas, mas nelas apontamos para o Algo.

Não o Ser duro e fechado, nem o Nada Vazio de si mesmo, mas o Algo.

A filosofia do Algo, a física do Algo, poderão talvez nos colocar frente a novas circunstâncias do mundo. Cabe construir esse visão, olhar por suas lentes e descrever o que aí se vê.

Certamente, Algo.

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Buraco negro: Como o estrato distorce até fluxos de fuga sobre si mesmo




Billionaire Travis Mccoy (feat. Bruno Mars)


[Bruno Mars]
I wanna be a billionaire so freaking bad
buy all of the things I never had
uh, I wanna be on the cover of Forbes magazine
smiling next to Oprah and the Queen


[Chorus]
Oh every time I close my eyes
I see my name in shining lights
A different city every night oh I
I swear the world better prepare
for when I'm a billionaire


[Travis "Travie" McCoy]
Yeah I would have a show like Oprah
I would be the host of, everyday Christmas
give Travie a wish list
I'd probably pull an Angelina and Brad Pitt
and adopt a bunch of babies that ain't never had sh-t
give away a few Mercedes like here lady have this
and last but not least grant somebody their last wish
its been a couple months since I've single so
you can call me Travie Claus minus the Ho Ho
get it, hehe, I'd probably visit where Katrina hit
'
and damn sure do a lot more than FEMA did
yeah can't forget about me stupid
everywhere I go Imma have my own theme music


[Chorus]
Oh every time I close my eyes
I see my name in shining lights
A different city every night oh I
I swear the world better prepare
for when I'm a billionaire
oh oooh oh oooh for when I'm a Billionaire
oh oooh oh oooh


[Travis "Travie" McCoy]
I'll be playing basketball with the President
dunking on his delegates
then I'll compliment him on his political etiquette
toss a couple milli in the air just for the heck of it
but keep the fives, twentys (?) completely separate
and yeah I'll be in a whole new tax bracket
we in recession but let me take a crack at it
I'll probably take whatevers left and just split it up
so everybody that I love can have a couple bucks
and not a single tummy around me would know what hungry was
eating good sleeping soundly
I know we all have a similar dream
go in your pocket pull out your wallet
and put it in the air and sing


[Bruno Mars]
I wanna be a billionaire so fucking bad
buy all of the things I never had
uh, I wanna be on the cover of Forbes magazine
smiling next to Oprah and the Queen


[Chorus]
Oh every time I close my eyes
I see my name in shining lights
A different city every night oh I
I swear the world better prepare
for when I'm a billionaire
oh oooh oh oooh for when I'm a Billionaire
oh oooh oh oooh


I wanna be a billionaire so fucking bad!

Como o Rap, que veio do berço da música negra, reivindicando seus direitos sociais e sua cultura própria, tornou-se, de fluxo de fuga, em um puro estrato capitalístico, com seus rittornelos de defesas dos valores básicos de nossa sociedade? Há de se estudar tais fenômenos, a fim de comprender melho os mecanismos de captura e axiomatização do capitalismo.

sábado, 16 de outubro de 2010

Coma

Meu pinguim, natimorto, morto-vivo, intensamente presente, aos poucos desgastou-se em pilhérias, fechou os olhos e dormiu. Dorme, ainda dorme, sonha deveras, numa zona de insconsciência catatônica.

Coitado, necessita de exercícios fisioterapêuticos... atrofiará?

Creio que não, seu tédio ainda pulsa em cada músculo inerte, mantendo o prenúncio do movimentos que jamais se realizarão.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Fenomenologia do tédio

Este é meu novo projeto. Como acaba de ganhar um nome, está pronto para perecer. Tudo se determina na morte e, como na morte se acaba, tal determinação é inútil e fulgaz.

O Tédio é a força-mor, ela rege a inconsciência perversa de nossa sociedade atual. Cabe a nós, fenomenologicamente, alcançar o âmago dessa experiência, compreender sua estrutura originária na constutuição do Ser.

Tudo é devir, entretanto, quando este se acalma, se dobra em relações consigo, fecha-se numa circularidade, atinge um ritmo, um pulso regular, uma reiteração de si... atinge o ponto ideal do que chamamos Ser. Não que uma tal mônada pudesse perseguir ilesa no grande oceano furioso, batendo contra rochas e sendo alvo de agenciamentos que o ultrapassam.

O ser é um tornar a ser, um devir da "seidade". Enquanto tal, ele se estratifica, se territorializa, cria uma estrutura, uma identidade, uma identificação, separa-se das amarras agenciadoras da qual veio, e acaba por ganhar um status pseudo-transcendental.

Entretanto, nesse momento em que atinge a plenitude do Ser, só resta-nos uma única possibilidade de volta. Para os que perdem até esse último retorno da rodovia, sobra-lhes, como os marujos do "holandês voador", transformar-se em paredes, em casco, em barco, enfim, estruturar-se até o nível do inanimado.

Mas alguns vislumbram a última saída do Ser... enquanto último, é sua essência, seu fundamento, sua força-motriz... o tédio.

Poucos alcançam de forma plena essa etapa. Há um árduo trabalho em atingi-la. nem o autista, que oscila seu corpo ritmicamente, sente omomento em que, na identificação do mesmo com o mesmo, há o colapso de partículas iguais que se integram numa força estrondosa, mas, ao contrário da força que, na mesma física, compõe a violência vital de nosso sol, ela é uma força silenciosa, negativa, reativa, implosão que se faz no sonho em que, ao tentarmos fugir, nossas pernas não respondem...

Há uma força negativa, repudiada pelos esquizoanalistas, mas que centripetamente reúne nossa sociedade em um núcleo que ultrapassa até o maior sentimento de insatisfação coletiva.

Há muito ainda para se conseguir descrever o tédio. Freud descobre a neurose como o sintoma-movente do capitalismo industrial, Deleuze aponta a esquizofrenia de nosso capitalismo financeiro, Baudrillard revela a perversão de nosso capitalismo informatizado... o que nos resta de inovação patológica... os indivíduos, as massas, as pedras, os cálices, os estrumes, os cães, os mares, os deuses, o tudo, os vários, os alguns, nada resiste ao movimento e sua lentidão, sua estagnação, seu zero, seu vácuo, seu tédio.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Corpo Astral

Já reparou o quanto que tais filosofias "holísticas", ou essas ciências da energia corporal ainda baseiam seus conceitos

sobre a mesma base em que se fundou a ciência moderna? A hegemonia do pensamento continua presente, mesmo quando se une

nesses pensamentos a questão de um inconsciente, que torna-se um segundo "Eu penso".

Ainda encontramo-nos arraigados ao cogito cartesiano, e, quando se quer contrapor a ciência enquanto uma série de regras

causais pela força do pensamento, é ainda a ele a que nos remetemos. Falta às filosofias alternativas um questionamento mais

rigoroso e mais profundo para compreender seus conceitos...

Pensar que há uma aura mental que envolve nosso corpo, é traduzir em termos cientificistas o que Merleau-Ponty falou há

muito: há um poder de reflexão em nosso corpo, ele posSui acesso à uma rede de sentidos que estão aquém do pensamento

consciente...

Enquanto não revermos a idéia de consciência e a fórmula dogmática de pensamento, tudo o que é feito ainda será

cartesianismo.

terça-feira, 15 de junho de 2010

Quando o tédio desprende da carne

Nã consigo produzir... acabei preso numa rede de trabalho que se processa pela repetição técnica, mesmo que se trate do mais alto conhecimento... há agora uma sensação pancreática difusa de criação, que não se reúne em ato... preciso escrever um trabalho, estruturar um pensamento, mas este ainda recusa-se passar por mim... resta-me o pinguim que, mesmo morto, está sempre aceso a boxear meu estômago.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Sobre teorias do tudo

Não vim ao mundo para compreender de onde vim, para onde vou e o que sou.

Creio que aqui estamos para fazer algo e, qualquer que ele seja, espero somente que seja feito direito, com toda a implicação e dedicação possível.

Quanto ao tudo, tenho fome de esceculá-lo, agarrá-lo com minhas forças, só para me sentir totipotente... Bom, se cheguei a algo... sim, o mundo é isso, um mistério autocontido, como uma luz de lanterna que ilumina somente alguns pontos e deixa o resto no escuro... se isso é a realidade não sei, mas é assim como eu encaro as coisas.

Sobre os pseudos teóricos, creio que precisam ler mais, focar mais, em vez de dizer no calor o ue imaginam.

até

quarta-feira, 26 de maio de 2010

O risco democrático da Wikipédia

A formulação de um registro do conhecimento universal é antiga - Diderot e D'Alembert foram os grandes propagadores desse ideal iluminista. Como o fenômeno da internet, que possibilitou uma comunicação mundial (e não só isso), surge o ideal democrático do conhecimento:

- qualquer um pode contrubuir;
- toda contribuição será julgada pelos pares;
- o conhecimento se tornaria mais "exato" e "verdadeiro", quanto maior fosse a participação das pessoas no debate dos vários temas.

Igualdade, Liberdade e Fraternidade = Wikipedia

Igualdade em que nível?

somos realmente todos iguais ao expressarmos nossas opiniões?

- há uma desigualdade na distribuição e na valorização dos diversos capitais que circulam e determinam a "veracidade" dos saberes. Por outro lado, se somos todos iguais, isso é em virtude de uma maquinaria capitalística que inibe a emergência de diferenças que não sejam capitalizáveis;

Liberdade na batalha?

- que liberdade se têm se subjulgamos as forças que nos atravessam, que dobram-se e deixam-se significar pelo capital sígnico? Há opiniões, e agem-se sobre elas, as aperfeiçoam e as mantém... somente doxa-dolar

Fraternidade de quem?

- Somos irmãos - temos os mesmos papais e mamães, mesmos complexos, mesmas crises, mesmos sentimentos mesmos mesmos... ou somos produzidos assim? Li na Wikipedia meu irmão pronunciar-se sobre a imoralidade (usa esse termo) do procedimento de clonagem... o homem brinca de Deus, blá blá blá... com certeza esse cara não é meu irmão, e se fosse eu o renegaria. E isso sai publicado e é copiado em trabalhos de alunos do ensino médio como se fosse um conhecimento universal...

Quando deixaremos de produzir o universal, para impactarmos contra as paredes, encaixarmo-nos em nossas bordas tortas e, desencaixando-nos, produzir algo de importante.

Se a Dolly era imoral, não era por ser clone, mas sim por ser ovelha, tal como o autorzinho do tópico da Wiki, parte de um rebanho, guiado por um pastor sabe-se lá para onde... (tal como a ovelha, dever-a parar numa churrascaria, mas isso é outra história).

quarta-feira, 24 de março de 2010

Será Patologia também astrologia? Ou história?

Freud: Era da Neurose

Em sua época, eram as histéricas, com seus maridos obssessivos, e seus filhos castrados numa linda família edípica cujop ideal moral era a LEI.

Deleuze: Era da Esquizofrenia

Nossa sociedade quebra os códigos familiares, religiosos, militares, sociais, políticos, tudo é válido, enquanto escorre pelas vias do capital... psicose

Será nossa Era de Aquário a Era da Perversão?

Sei, não sei, sei, não sei... será que sei? você tem certeza de que sei...

O que é Lady Gaga?



Mesma loira, mesma superprodução, mesma dança erótica e hipervalorização do corpo, photoshopicamente construído?

Parece, num primeiro momento, seguir a velha linha das "divas" pop. Todas fazem um clipe assim, meio "ousado", meio "safado", nada mais comum... algumas propagandas...

Mas qual é a necessidade de se enfatizar tão declaradamente uma garrafa de Campari? Ou o salto de um Channel? Sim, merchandising é comum... mas qual é o limite entre o comum e o exemplar?

Com o tempo, verifica-se mais do que um jogo capitalístico. Lady Gaga é Axiomatização capitalística, após um grande turbilhão que arrasa milhares de extratos...



O corpo loura-diva-pop desaparece nas desterritorializações no clipe "Bad Romance", grande exemplar desse movimento. Cada vez mais o sistema abarca seu exterior, leva-se ao limite, chega a quase esquizofrenia... porém, logo retornamos ao Campari.

O Capitalismo Financeiro atual, com a grande velocidae adquirida pela evaporação do capital e pela fugacidade eterna da internet, axiomatiza em velocidades estrondosas. Não é a toa que num mesmo momento histórico ganha tanta visibilidade uma "cultura gay", contraposta em muito com a estrutura hetero-normativa (não que não haja casos onde se misture os dois, a mistura é mais comum que a pureza), e tal fenômeno musical, e também não é a toa a relação intrínseca que se formou entre os dois.

Há algo no ar, ainda a ser compreendido... algum nariz afinado poderá ressoar na mesma frequência do odor desse zeitgeist? Aguardamos o que vêm a seguir, depois de Breton, Deleuze & Guattari, Baudrilard...

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Grande Incursão pelo Tédio

Há muito vislumbro esse impulso ao insosso que penetra-me pelas vértebras e invade os órgãos... Indistinto de mim, torno-me o tédio mesmo. Se me levará à vitória de Tânatos, não sei. Mas espero, simplismente, que este me deixe acompanhar as pequenas vontades que ainda passam por minhas mãos.

Assim, inicio essa viagem, sem rumo... Dedico os poucos escritos dessa minha presente posteridade ao Tédio.