quarta-feira, 24 de março de 2010

O que é Lady Gaga?



Mesma loira, mesma superprodução, mesma dança erótica e hipervalorização do corpo, photoshopicamente construído?

Parece, num primeiro momento, seguir a velha linha das "divas" pop. Todas fazem um clipe assim, meio "ousado", meio "safado", nada mais comum... algumas propagandas...

Mas qual é a necessidade de se enfatizar tão declaradamente uma garrafa de Campari? Ou o salto de um Channel? Sim, merchandising é comum... mas qual é o limite entre o comum e o exemplar?

Com o tempo, verifica-se mais do que um jogo capitalístico. Lady Gaga é Axiomatização capitalística, após um grande turbilhão que arrasa milhares de extratos...



O corpo loura-diva-pop desaparece nas desterritorializações no clipe "Bad Romance", grande exemplar desse movimento. Cada vez mais o sistema abarca seu exterior, leva-se ao limite, chega a quase esquizofrenia... porém, logo retornamos ao Campari.

O Capitalismo Financeiro atual, com a grande velocidae adquirida pela evaporação do capital e pela fugacidade eterna da internet, axiomatiza em velocidades estrondosas. Não é a toa que num mesmo momento histórico ganha tanta visibilidade uma "cultura gay", contraposta em muito com a estrutura hetero-normativa (não que não haja casos onde se misture os dois, a mistura é mais comum que a pureza), e tal fenômeno musical, e também não é a toa a relação intrínseca que se formou entre os dois.

Há algo no ar, ainda a ser compreendido... algum nariz afinado poderá ressoar na mesma frequência do odor desse zeitgeist? Aguardamos o que vêm a seguir, depois de Breton, Deleuze & Guattari, Baudrilard...

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