segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Do objeto do Tédio e a Epistemologia cruzada de "prováveis imcompossíveis".

Teria a matemática e a física uma linguagem ontológica? Claro, a matemática em relações abstratas, busca uma sequências de estruturas que se derivam, não é imanente, pois há axiomas que regulam de fora seus movimentos... a física estrapola a matemática para uma leitura do mundo, fazendo o duplo caminho da interpretação de dados e da modificação destes, através de inúmeras formas de leitura diferentes.

Bom, longe disso, haverá contatos entre as teorias físicas com o mundo. Claro, A filosofia, que busca em Merleau-Ponty um contato originário com o mundo, trilhando uma ontologia indireta, sabe bem que só por meio da linguagem pode-se clarificar esse acesso à experiência do Ser. Já a física, utiliza-se de uma outra linguagem, a matemática. Porém, o mundo com o qual ela entra em contato é muito mais indireto, o mundo dos instrumentos gigantescos para análise do infinitamente grande e do infinitamente pequeno.

infinitamente, pois o que se tem desse mundo é somente o rastro, a sombra, o fóssil. Ele não é a experiência mesma.

Ora, dizem os físicos, nunca nossa mão tocou em algo, os átomos de nossa mão repelem os dos objetos a serem tocados, nunca há contato. Entretanto, a experiência que temos é mesmo de uma promiscuidade com as coisas, mistura, completude sempre iminente e nunca efetivada, mas sempre ali, como uma sombra.

Como conciliar essas visões? A física avança pela distância que toma do objeto que percebe, a filosofia (de Merleau-Ponty), avança no contato íntimo com elas. Podemos não ver o fóton do vermelho, nem temos em vista um quale puro desse. Se a partícula é também energia, se o quale é uma impressão diferencial de um campo, se na física mesmo o campo parece solucionar a simetria da matéria, não há uma distinção entre o formal e o substancial, mas uma intimidade entre os dois.

Ao menos nesse sentido, tem-se um projeto comum.

Talvez, o melhor é abandonar a idéia de um conhecimento que progride por acumulação, e adotar a descontinuidade dos pontos de vista: Newton, Einstein, Quânticos, cada qual vê de diferentes perpectivas, mas nelas apontamos para o Algo.

Não o Ser duro e fechado, nem o Nada Vazio de si mesmo, mas o Algo.

A filosofia do Algo, a física do Algo, poderão talvez nos colocar frente a novas circunstâncias do mundo. Cabe construir esse visão, olhar por suas lentes e descrever o que aí se vê.

Certamente, Algo.

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