segunda-feira, 1 de novembro de 2010

O que alimenta nossos sentimentos?

As pessoas essencializam o sentido da vida em sentimentos de amor ou de dor, dependendo da imagem que tem de seus copos d'água. Tais sentimentos, que transpassam tão momentaneamente suas vidas, sendo percebidos em fulgazes relances da consciência, não conseguem por si só sustentarem uma existência humana.

Veja o amor. Por mais amorosa que seja uma pessoa, por mais feliz que se encontre, seja essa bonança alguma mal-formação de seu espírito ou apenas um grande acúmulo de capitais culturais, sociais, econômicos, etc, não pode estar presente intensamente, em forma pura, durante um período de tempo prolongado. Entretanto, sua ausência não é uma negatividade, falta de algo que nos completa. Se assim fosse, toda falta de amor consistiria na busca pelo mesmo. entretanto, o que se vê é que o amor pleno logo se substitui por outros sentimentos, simplesmente pelo dinamismo vital. Nossos interesses variam grandemente durante o dia e, quando estamos sérios, cansados, ou em outro estado dito de consciência, não falta o amor, este apenas não está em destaque.

Há de ser corroborar então pela positividade de uma multiplicidade de sentimentos que transpassam o sujeito, de modo que, a cada momento, uns ganham hegemonia sobre outros.

Não apenas isso, mas os sentimentos não são átomos isolados que interagem entre si, são mais uma estrutura em que cada um se define em relação aos outros. Assim, para Proust, a essência do amor é o ciúme.

O que se tem aí é um complexo movimento de subjetivação, que envolvem moléculas hormonais, cultura institucionalizada, vida familiar, acontecimentos presentes, passados e expectativas, etc etc etc...

Mas, abaixo de tudo isso, há um movimento que anima cada sentmento, cada movimento, e permite à estrutura que se movimente conforme sua dinâmica imanente.

O humor e o tédio são o magma do movimento psíquico. eles são como as pulsões de vida e de morte de Freud, lutam abaixo de toda a estrutura emocional, podendo estruturá-la, reestruturá-la, e até demolí-la em fragmentos.

Assim, o amor pode ser entusiástico, mas pode também-se render ao tédio. Há algo de mais fundamental nesse par de forças, que parecem transcender o sujeito. Há instituições humoradas, mas a maioria tende para o tédio dos movimentos repetitivos. O humor é mais criativo, feliz ou deprimente, ele controla à tendência à inércia do tédio, que busca a invariância e a consciência desta. O humor não se restringe à consciência, ele perpassa e lubrifica os movimentos, faz escorregar até o próprio tédio.

Tédio não tem a ver com ócio. Esse pode ser um sintoma do tédio, mas também é espaço criativo, libera as amarras lógicas e deixa os pensamentos correrem em conexões mais ágeis e flexíveis.

O texto aqui está parcial e imcompleto, não é fenomenológico nem artístico. É mais um vômito, com sua viscosidade impregnada de restos estilhaçados de algo que poderia, se seguisse seu trajeto cotidiano, compor-se em longas cadeias de uma estrutura harmônica e vital. entretanto, o pensamento não é um processo vital, mas sim um acontecimento que infelizmente se prendeu a cadeias de estratos que ressoam em tédio. Não segue, em seu caminho comum, cadeias lógicas, mas muitas vezes surge como blocos mal-conexos que se arrastam e sem nenhuma função, além de seu próprio movimento. Pouco criam, mas se entulham na Internet. Ao menos, esse não se pretende, e ressalvo aqui, a se constituir em um conhecimento plausível e de impacto.

É que, meu pinguim maroto, tremento sobre meus olhos, clamando por seu peixe, acaba por alimentar-se de meu tédio, retirando-me do texto que tinha que ler para digitar aqui palavras já esquecidas.

Nenhum comentário: