terça-feira, 16 de novembro de 2010

Quando a carne se rompe...




O rompimento da carne é o movimento perceptivo que estraçalha os existenciais, e no faz ver com novas perpectivas. Não é uma mudança estrutural, mas um rompimento violento, um rasgo, uma ferida que se abre e que deixa jorrar os sanguinolentos signos desterritorializados, de forma a compor um traçado psicótico da vida. Se usado corretamente, se provocado, se implodido com dinamites previamente localizadas na fundação, pode-se criar algo novo.

Se explode, tem-se um prévio momento de angústia, correspondente ao movimetno de espansão das chamas e das ondas destruidoras. quando tudo está abaixo, nossa percepção só tem diante de si escombros do mundo, e tem de viver com eles... O momento psicótico da nuvem de poeira abaixou-se, e o que sobra é o campo do CsO, improdutivo e desértico, por onde transpassam sem rumo diversos fluxos de pura diferença... esse é o momento do Tédio. Pulsar monocórdio da paisagem puramente plana e lunar, entretanto sem crateras. a frente resta somente o inescrutável horizonte, que agora não é de sentidos, mas de restos... o perverso tediófilo alimenta-se de restos, não há mais falo, tudo é falo, sapatos, roupas, dinheiro, não há leis, há um percorrer de leis que se entediam a si mesmas por puro gozo lacaniano, que se reverbera e pulsa, infinitamente, fechado em si, pouco propoenso a divergências.

Separação - emoção - tédio. Sobrou-me um pinguim desterritorializado, um mundo reduzido ao que lhe cabe na mão, um imaginário tendencioso, que se atira ao nada de quando em quando...

Nada se planta e nada se colhe.

resta-nos o "Algo".

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