segunda-feira, 21 de março de 2011

Rascunho para Doutorado - Por uma Ética demoníca

Se aceita-se a tese kantiana das grandezas negativas, e se se passa a tratar a violência, o ódio, o "Mal", não enquanto uma ausência do amor, mas sim como algo de existência "positiva" em si mesmo, Urge uma reflexão sobre a Ética cujo Bem torna-se Unidade e Plenitude, para assim se compor toda uma rede múltipla de valores e retirar o homem dessa dualidade entre bom selvagem e mal radical.

a relação entre tais grandezas em si estipulam seus próprios valores: ´
e em determinado contexto de relações em que determinados acontecimentos adquirem o caráter de benéficos ou de maléficos em nossa vida cultural, psíquica e até biológica.

Tenho literatura para tal: Merleau-Ponty, Garcia-Roza, Bataille.

Há uma estruturação humana entre desejo e morte, entre a violência e a vida, não como antípodas, mas formas de expressão do mesmo Ser.Freud se deparou com isso ao examinar a pulsão de morte.

Pensamento em construção...

domingo, 13 de março de 2011

Escrita a 4 mãos

Nāo é pura convergência de saberes homogêneos, nem simples disputa de posições opostas. Trabalhar a 4 māos implica na criaçāo, na maquinaçāo conjunta, na revereberaçāo das diferenças entre as multidões que se reúnem nessa encruzilhada.

O que desse encontro sai nāo é nem meu, nem seu. É independente de sujeitos, vaga por aí nas trilhas deixadas pelas diversas máquinas discursivas.
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sábado, 12 de março de 2011

Sobre o Documentário Zeitgeist

O que significa "perguntar pelo princípio"? a religião é colocada (tanto na defesa quanto na crítica) como algo que fala dos princípios. Ora, enquanto discurso que parte dos homens, o discurso do princípio deve ser compreendido em sua gênese contextual. Dessa forma, o documentário Zeitgeist, em sua ânsia por expôr a gênese de nosso pensamento "cristão", não deixa de estar subordinado a um Zeitgeist.

Incrível uma das falas: "Não queremos ser indelicados, mas temos que ser factuais. Não queremos magoar os sentimentos de ninguém, mas queremos ser academicamente corretos naquilo que compreendemos e sabemos ser verdadeiro. O Cristianismo não é baseado em verdades" (Zeigeist, os grifos são meus).

Vejamos as palavras empregadas: há um jogo que classifica o discurso de forma dual e oposta: o fato a verdade, om conhecimento acadêmico, estão opostos ao conhecimento religioso, mítico, falso.

Ora, o documentário prega uma pureza dos fatos, como se fosse um diamente bruto que a cada passo fosse lapidado e encontrasse assim sua maior proximidade com a Verdade. Mas vemos que vários filósofos e sociólogos já questionam essa noção. Bourdieu, sociólogo francês, dissertou abundantemente sobre as relações de poder no conhecimento acadêmico, e sua relação de classe com o conhecimento operário ou popular. Mais do que encaminhar-se à uma verdade mais plena, o que se vê é um jogo de poder: quem detém o poder detém a verdade. A Igreja, detentora do poder na idade média, sobrepunha-se até ao saber científico. Entretanto, a queda de um foi concomitante à elevação do outro. Hoje, quem é adorada nos templos televisivos é a ciência, como fonte suprema da verdade.

"compreendemos e sabemos ser verdadeiro". Nem o físico quântico tem real conhecimento da amplitude e da verdade de sua teoria, quanto mais uma teoria que se baseia no encadeamento de fatos de diversas culturas, descontextualizando-os e criando uma cadeia lógica. A logicidade de uma história ou de um encadeamento de fatos não é garantia de sua verdade!

Há aí uma questão sobre o conhecimento e a noção de Verdade. Esse disurso "Há uma verdade", é semelhante ao da religião. Não há mudanças de discurso entre os cristãos e o documentário.

Podemos então encontrar, nos discursos que se colocam libertários, o mesmo jogo de poder. A verdade, a iluminação, o fato, são os novos deuses... Assim, continuamos a cultuar o Sol...

Deve-se salientar que a crítica ao discurso adotado em Zeitgeist não é uma tentativa de invalidar suas descobertas e defender a verdade cristã... O que se busca é desvendar o movimento que se dá por baixo dos dois, mostrar suas semelhanças, e assim ponmderar nossas posições acerca do que é ou não verdadeiro, e até sobre a idéia adotada sobre a verdade.

Realizar uma crítica não é substituir verdades, mas contextualizar discursos, ponderar fatos, pesar seu alcance, e só eliminar aquilo que, após esse exame mais profundo, revelou-se inconsistente.

Uma religião torna-se despropositada quando busca, no discurso científico, encontrar bases que as ratifiquem como verdadeiras. Uma ciênmcia que trata suas descobertas como sendo a verdade suprema das coisas, se esquece da diversidade de pontos de vista, das abordagens possíveis, e assim torna-se divina, perdendo sua objetividade.

Há uma realidade mítica do ser humano, que conta para sua percepção, há um poder de julgamento racional, que lhe permite compreender mais objetivamente os fatos ao redor. Há diálogo entre essas realidades, mas sua compreensão ainda está por ser feita, na minha opinião.

segunda-feira, 7 de março de 2011