quarta-feira, 4 de maio de 2011

orquestra subjetiva

uma orquestra reúne uma grande complexidade de sons que se reúnem em uma estrutura intrínseca e compõem uma melodia. a melodia é maior do que a soma dos instrumenos, de suas notas e tons, é imanente a esse território, porém o transcende, está sobredeterminada. em cada nota, se é que esta pode ser isolada, encontra-se holograficamente toda a sinfonia que, como fundo, lhe determina seu valor.

Mas não é somente necessária a sinfonia para que se apreenda seu sentido. Enquanto é sobredeterminada, sua estrutura multidimensional possui lados ocultos, sentidos possíveis, não enquanto moléculas que flutuam em um para-além dos sons, mas que se escondem em suas junturas, em seus meandros, e que florescem em diferentes perspectivas, dependendo de quem a ouve.

O ouvinte é um mediador de equivalências, ele possui, devido ao rastro arqueológico que lhe compõem passivamente e com o qual ativamente ele contribui. sua função é deixar que as diferenças o atravessem, que o sistema de abertura que o define destaque as articulações daquilo que ouve, seguindo suas linhas. Não que ele acrescente à melodia algo somente seu: como os diferentes graus de acuidade auditiva, sua percepção se abre diferencialmente para determinadas estruturas sonoras. Assim, o que ele percebe também é seu, mas na verdade o ouvinte pertence mais a sinfonia do que ela a ele. Em seu devir temporal, a sinfonia clama o ouvinte, pede que seja ouvida... é dessa forma que as músicas entram passivamente em nosso pensamento, e ali se cantam independente de nossa vontade, até que por si só se dissipem.

a sinfonia apresenta-se misteriosa, como algo que está para ser revelada pelo ouvinte...

Não é de música que aqui se fala... o mundo é uma sinfonia... o outro se apresenta para nós como uma sinfonia, sua fala possui um movimento que está fóra de nós, movimento que nos cabe revelar... a sensibilidade qu desenvolvemos ao outro é uma forma de conexão com este, nossos corpor se unem como dois líquidos se misturam homogeneamente, mas como duas frequências que se interferem, que se ressoam... claro que, eu e o uotro, não somos melodias fechadas, somente abertas a uma profundidade que desde sempre já estava ali, mas somos ambos aberturas ao mundo, minha ressonâcia causa uma mudança qualitativa na do outro, a do outro em mim.

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