terça-feira, 21 de junho de 2011

Corpo e classe


Não é a toa que Bourdieu fala do habitus antes como um esquema de disposições práticas. antes de ter uma ideologia de classe, pensamentos etnocêntricos de classe, ou seja, pensamentos "classitas", temos uma corporeidade de classe; nossos rins e baços estão impregnados de ums estrutura tão concreta quanto o tecido celular, aquilo que liga nossas céluas, nossos órgãos já são sociais, nosso corpo se compõe como um corpo de classe. Nossos movimentos, posturas, gestos, os primeiros balbucios.

Nosso esquema corporal não se constitui somente através da imagem do espelho, mas do outro como um reflexo do eu, nosso esquema é corporal. Assim, tendo o movimento, a práxis como uma dimensão de nossa tomada de mundo, a percepção, que se dá no intricamento com essa, também é percepção que se coloore socialmente.

Dessa forma, se coporalmente temos uma dimensão de classe (e essa arqueologia não é aquela da determinação objetiva da genética, mas da determinação dinâmica e processual que se dá na ontogênese e filogênese, no corpo como uma massa estruturada e estruturante que se forma simultânealmente nas dimensões bio-psi-socio-político-cultural... e esse rosário de termos é ainda insuficiente para designar o processo autopoiético que aí se vislumbra, há necessidade de termos novos, como o de Rizoma - Deleuze, dialética sem síntese, carne e Ser Bruto - Merleau-Ponty), nosso imaginário, nossa percepção, nossa tomada originária de mundo já contém em si uma certa dimensão de diferença social, em potência, em virtualidade, e que se atualiza nas vivências sociais mais concretas da criança, adolescente e adulto, na sua inserção nas instituições sociais (família, escola, empresa, universidade, governo, etc).

Assim, a ideologia, o pensamento de classe, as representações de classe, todo esse aparato cognitivo de descrição da superestrutura, nada mais é do que fruto de uma conexão corpórea com um mundo já em si mecanizado, estruturado e com seus estratos definidos.

Nenhum comentário: