quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Álbum Antigo

Com a desativação psíquica do orkut, que deixei abandonado, lembrei-me desse único álbum de fotos que lá havia deixado, mas que decidi recuperar:
Introduction
Intercorporeity
Offenheit
Schema Praxique
Window
Male Instinct
Soul
IdioKhosmos for on flight
God
Incarnate Spirit
Hell
Heart
Fallus
Refoulement
Umwelt
Past Abschatungen
Anima
alligator's mouth
autoforclusion

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Anticristo

Esta cena, uma das mais belas e angustiantes que já vi, explicita para mim a união mais intrínseca e nossa carne em sua mistura agressiva e sexual. Eros e Tânatos, conjugados, em uma série de acasos nada contingenciais, uma evolução que conjuga diversos clímax diferentes em um só momento de que chamamos de acontecimento. Quebram-se as trindade edipianas, desmantelam-se as fantasias e a concreção da vida ganha a profundidade máxima, a opacidade do afeto adquire brilho próprio, e, a partir desse singular momento, o que ocorre é uma abertura, uma marca, um nível, para todo sempre aberto, ao qual tudo sempre se referirá. Este é, no seio do concreto. O surgimento do Real.

Black Swann

Esta cena, minúscula no total do filme, que ganha mais destaque que o Lago dos cisnes original, possui a força das profundezas do Ser. Seu destaque se faz porque, sendo gêmeas opostas, sendo impulsos opostos desintegradis, refletem a posição cindida esquizoparanóide, e destaca, no fundo de cada ser humano, reprimido e controlado por nossa sociedade, o impulso destrutivo, agressivo, mortal, que nos conduz ao caos do qual surgimos. Tânatos

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Ao psicólogo ordenhador de lágrimas

Sentimentos não se extraem, mas brotam do solo desértico em oásis momentâneos, ressecam por conta e voltam a formar matas tropicais, ou um simples canteiro.

Plante sua semente, mas é o solo que determina suas possibilidades.

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Ócio e tédio

Muita confusão se passa entre os dois devires. Os sujeitos em inatividade aparente são visto principalmente através da lente moralizante do ócio, e quando dizem-se entediados, acabam por serem interpretados como preguiçosos a se desculpar por sua diminuta moralidade, pela qual se justifica seu distanciamento e falta de desejo, ou ao menos de esforço, pelas atividades laborais.

Entretanto, muita diferença há entre as duas palavras que entitulam esse texto.

Ócio indica simplesmente um estado do sujeito no qual este se encontra sem exercer nenhum tipo de atividade. As mentes moralistas, que por se prenderem às exigências capitalistas julgam a todos, de modo reativo, exaltando suas qualidades morais de "ser trabalhador" (mas torcendo avidamente pela sexta-feira e excomungando a segunda-feira de sua inexpulsável posição temporal - a de ser após um dia sem trabalho); estes colorem de pútridos odores os momentos de ócio, os quais não se permite, e julga-o espaço aberto aos labores de outro ser, demoníaco.

Ora, é justamente aí que confundem o ócio com o tédio. Em si, a ociosidade mostra-se como aquela que nos retira do cotidiano, do estrato capitalístico que nos determina, e abre largas vias desterritorializadas, preparando-nos para a criatividade, o novo, a pura expressão, se é que algum dia esta foi pura.

Não que não haja aí um princípio demoníaco: essa capacidade desterritorializante em si é fator que desmantela o habitus e a repetição capitalística de valores, e assim torna-se um princípio maldito. Assim se vê na opinião social e na vida de muitos artistas e obras.

Mas esse poder destrutivo, também demoníaco, que é enfocado quando se descreve o ócio na opinião popular, esse é fruto do tédio. Quando as águas caudalosas do devir devasta os estratos, e acaba por dirigir-se a extinção brutal de tudo e de si mesmo, isso que Freud dizia ser repetição pulsional de Tânatos mas que é a reverberação do tédio.

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Depressão e Capitalismo

Interessante compreender o aumento de casos de depressão atualmente. Segundo Freud em "Luto e melancolia", a diferença entre os dois fenômenos está no empobrecimento do mundo para o primeiro, pois o que se perdeu é um objeto externo, e o empobrecimento do ego para o segundo, pois o objeto perdido era algo pertencente, por identificação, à subjetividade desse.

O Capitalismo é o reino da falta. Sua dinâmica administra uma subjetividade cujo o desejo é padronizado e monetarizado. Há um esvaziamento dos objetos paternos e principalmente de seus substitutos, de modo que o sujeito, antes de se identificar com um objeto positivo, se identifica com um objeto negativo, com uma forma desejante binária, aberta a uma passagem objetal, à passagem de uma cadeia de signos desterritorializante.

Assim, caso o sujeito tenha a ousadia (que é incentivada) de se identificar com esse "ralo objetal", fica suscetível a ver-se pelo negativo, pelo jamais completo, e assim reconhece-se como vazio de si, identificado a um turbilhão de objetos-signos que escorrem constantemente e cuja parca consistência associada a uma necessidade ambivalente de completude, crie um sujeito deprimido.

Assim, temos uma estrutura social produtora de depressões e um sujeito que tem parca escolha, escolha essa que se faz entre as poucas alternativas  disponiveis.