segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Anticristo

Esta cena, uma das mais belas e angustiantes que já vi, explicita para mim a união mais intrínseca e nossa carne em sua mistura agressiva e sexual. Eros e Tânatos, conjugados, em uma série de acasos nada contingenciais, uma evolução que conjuga diversos clímax diferentes em um só momento de que chamamos de acontecimento. Quebram-se as trindade edipianas, desmantelam-se as fantasias e a concreção da vida ganha a profundidade máxima, a opacidade do afeto adquire brilho próprio, e, a partir desse singular momento, o que ocorre é uma abertura, uma marca, um nível, para todo sempre aberto, ao qual tudo sempre se referirá. Este é, no seio do concreto. O surgimento do Real.

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