quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Depressão e Capitalismo

Interessante compreender o aumento de casos de depressão atualmente. Segundo Freud em "Luto e melancolia", a diferença entre os dois fenômenos está no empobrecimento do mundo para o primeiro, pois o que se perdeu é um objeto externo, e o empobrecimento do ego para o segundo, pois o objeto perdido era algo pertencente, por identificação, à subjetividade desse.

O Capitalismo é o reino da falta. Sua dinâmica administra uma subjetividade cujo o desejo é padronizado e monetarizado. Há um esvaziamento dos objetos paternos e principalmente de seus substitutos, de modo que o sujeito, antes de se identificar com um objeto positivo, se identifica com um objeto negativo, com uma forma desejante binária, aberta a uma passagem objetal, à passagem de uma cadeia de signos desterritorializante.

Assim, caso o sujeito tenha a ousadia (que é incentivada) de se identificar com esse "ralo objetal", fica suscetível a ver-se pelo negativo, pelo jamais completo, e assim reconhece-se como vazio de si, identificado a um turbilhão de objetos-signos que escorrem constantemente e cuja parca consistência associada a uma necessidade ambivalente de completude, crie um sujeito deprimido.

Assim, temos uma estrutura social produtora de depressões e um sujeito que tem parca escolha, escolha essa que se faz entre as poucas alternativas  disponiveis.

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