domingo, 30 de outubro de 2011

"Imprudente"

Como falar em prudência em Deleuze... e como não buscar uma reflexão séria de seus conceitos, e evitar cair em banalizações ou em usos indiscriminados... uma filosofia com recomendações... críticas, mas cujos caminhos, múltiplos, não podem diretamente estabelecer seu "bom senso"...

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Liberdade para se submeter ao que quiser!


Vou ser mais didático nesse post. Mais que isso, serei um tanto burro e distorcido, pois as coisas são bem mais complicadas do que exporei aqui.
Fico abismado, pessoalmente abismado, pela capacidade das pessoas se submeterem irracionalmente a ideais alheios, e se sentirem bem, como se fossem poderosos e vencedores. Compramos brigas por ideais, por crenças, e cada vez mais as superestruturas de poder das empresas capitalistas necessitam de menos esforços para conseguir convencer-nos de que o que ela querem é o que queremos.
Claro, essa indignação não é tão irracional assim, não me coloco de fora dessas influências. Isso faz parte de todo um mal-estar social que há muito penetra em cada sujeito. Mas acho que precisamos de alguns esclarecimentos, a fim de compreender o que se chama "processo de subjetivação", ou seja, como nos tornamos "sujeitos", pessoas que pensam e agem como se fosse por si mesma, por suas próprias decisões. Me desculpem os estudiosos filósofos se os termos estão incorretos, mas esse texto não se dirige a vocês.
Deleuze, filósofo francês, lendo Nietzsche, filósofo alemão, coloca que a vida é composta por forças que conflitam entre si, na afirmação de si mesmo. Seja na sobrevivência do mais forte, seja, no mundo humano, na busca de cada vez mais poder. Ora, em nossa sociedade, é o que vemos: pessoas por cima e pessoas que querem ficar por cima. entretanto, cada um faz isso de forma diferente:
 - Ativos: esses agem, atuam no mundo por suas próprias ações, sem que essas "se preocupem" com os "outros", nem para ajudá-los nem para prejudicá-los. Não confundam isso com o "egoísta": não agir conforme os outros não significa fazer coisas que causem mal a esses. quem prejudica o outro, porque quer ou porque está pensando em si mesmo, faz isso porque está a todo momento pensando no outro, no que ele faz de certo ou de errado. Esse é o egoísta, o que mais se preocupa com os outros. O ativo age e, se sua força vai de contra a alguém, não é por não gostar dele nem por querer prejudicá-lo. Pensem nas crianças que estão em um jogo: elas estão preocupadas e ganhar do outro, e cada uma aceita a disputa, estão preocupados com a disputa, e se divertem pela disputa. quando a disputa acaba, não sobram grandes ressentimentos.
 - Reativos: esses são os que se afirmam pela negação. são as pessoas que agem mostrando que são bons em oposição a tal pessoa ou instituição. Sempre comparando, sempre se dirigindo aos outros,eles precisam ver a derrota do outro para poder se sentirem campeões.
Claro que não existem dois tipos de pessoas. De certa forma, cada pessoa é um pouco ativo e um pouco reativo ao longo da vida. Não vou ficar aqui falando dos ativos, mas sim daquela parcela reativa que temos em nós.
Para que se sinta melhor que o outro, o reativo tem que buscar o que vê de errado nele, e assim criar um ideal de certo, de bom. Assim nasce a moral e os valores reativos. Isso é errado, isso é ruim... o bom mesmo é ser X!
As empresas, sem o saberem conscientemente, sabem disso. Vejam a Apple: Jobs dizia que em vez de se buscar a necessidade das pessoas, deve-se criar produtos que se tornem necessários. Criar desejos. As pessoas, assumindo o desejo que nunca teve, passa assim a pensar, fazer e valorar segundo modelos que nunca raciocinou, nunca refletiu.
As pessoas, muitas vezes, assumem ideais, crenças, partidos, e papéis sociais, e os defendem com unhas e dentes, mas nunca refletiram o que vêem de "seu" nesses papéis. Por exemplo, pessoas que fazem parte de grupos, empregos, partidos, e sentem emocionadas o quanto suas crenças são melhores e seu valores e seus produtos etc... Acabam por sentirem orgulho de viver em uma nação gloriosa, pertencerem a uma escola de renome...
Assim, vangloriando-se pelo status da instituição. Vem então algumas perguntas:
 - Qual é o benefício que essas pessoas possuem com isso?
 Vejam, se é o salário, se são bens materiais, se é o status que adquire por um diploma melhor... ao menos, a pessoa está defendendo a si mesma, a sua potência individual. Mas será que defender o quanto a instituição "é a maior/melhor do mundo" é somente uma forma de obter mais benefícios para si? que benefícios seriam esses? O status, o espírito de vitória que a coletividade possui ao defender brigas que não são suas... geralmente, essas instituições estão preocupadas com sua própria sobrevivência, e não hesita de trocar pessoas ou expulsar indivíduos para isso. Mas, enquanto esses ainda estão lá dentro, tais instituições buscam que este defenda seu ideal, o adote enquanto seu? Será que as pessoas conscientemente escolhem isso? e será que essa escolha lhe é benéfica? Será que sua vida depende de uma instituição que nem sempre está preocupada com seus membros?
Assim, podemos perceber que as pessoas acabam por defender o que não é ou nunca foi seu, mas que ganham, em benefício, a fantasia de que são melhores por isso, melhores por estarem com melhores. E agem, assim, reativamente, comprando brigas que na realidade só aumentar a força da instituição, e não a sua própria.
Em grandes instituições, poucos "lucram" com o poder da instituição, o resto é fantasia criada para contentar e convencer os que as defendem.
Se questione?
 - O que seu partido fez, direta ou indiretamente, para melhorar seu estilo de vida?
 - O que sua empresa fez para que você realize seus desejos, mesmo que estes não incluam a própria empresa (como por exemplo, fazer uma faculdade que melhoraria sua vida e o faria conseguir um emprego melhor FORA da instituição???)
 - O que seu time, religião, ideal científico, etc etc contribui para que você se realize?
ISSO NÃO É EGOÍSMO, PENSAR EM SI NÃO É DEIXAR DE PENSAR NOS OUTROS. AS INSTITUIÇÃO NÃO SÃO "OUTROS", SÃO MAQUINAS DE LUCRO. OUTROS SÃO AS PESSOAS AO SEU REDOR.
Assim, gostaria de deixar uma mensagem para as pessoas que compram brigas que não são suas, seja na internet, seja no emprego, etc. Mesmo essas bobagens como as de Wanessa Camargo e Rafinha Bastos, que enriquecem quanto mais comentamos sobre uma ínfima piada.
Obrigado pela atenção

sábado, 8 de outubro de 2011

Dragon Ball e a moral ocidental




     O primeiro video, sobre Sexualidade; no segundo, a partir do 13° minuto, sobre o significante demoníaco... Parece que o oriente, felizmente, faz chacotas de nossos complexos psicanalíticos e morais.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

A questão do ídolo



   Steve Jobs faleceu. Assunto abundantemente comentado, explorado e vendido. Até aí, tudo em sua normalidade. Entretanto, quem era Jobs? Criador de uma empresa de tecnologia, criou produtos que direcionaram o mercado e ainda mais, que criaram tendências, geraram novas necessidades, criaram seu mercado?
     A máxima de Jobs era a de que a empresa tinha que guiar o rebanho de consumidores. Entretanto, o que ele fez foi somente tornar público algo que já está na essência do capitalismo. Frente à concorrência, muitos produtos precisam reinventar necessidades.
     O ramos de produtos químicos para o cotidiano deixa transparecer cada vez mais essa "necessitação" do supérfluo. Desde Pasteur, a teoria microbiológica da doença, embora não mais generalizada, é fundamento para uma reação higienista cultural, baseando-se na construção cultural do asco (social, mas também psíquica). Assim, cada vez mais (principalmente agora que, pelo menos no Brasil, vê-se a propagação do "politicamente correto" e "ambientalmente correto" enquanto qualidades rentáveis através do consumo) se vê surgirem produtos com "algo a mais que os outros", o que o torna sempre mais eficiente. Isso chega ao paradoxo de a mesma empresa e até a mesma marca lançarem quase que simultaneamente produtos que negam outro, como uma concorrência interna.
     Bem, assim, mesmo que seja mais que "aumentar funções", o que a Apple faz é criar. Criar o supérfluo, agregar mais ao vazio, recriar nossa relação com a tecnologia. Não que não haja aí uma positividade, uma relação criativa entre as necessidades da população e o produto criado. Mas ainda sim o que se vê é a abertura de novos nichos de vazio, uma ressignificação, uma supersignização, uma sobrevalorização de algo que é, em essência, dentro das tendências naturais da tecnologia, seu devir próximo.
     Assim, há mais na Apple, há nela Jobs, e sua figura pessoal como emblema de algo cultural. enquanto as outras empresas criam produtos e deixam que suas qualidades tornem-se, lentamente, necessárias (como a Microsoft, cujo mentor não possui o mesmo impacto pessoal que seu rival, mas que dominou por muito tempo a mentalidade computacional - mesmo que com produtos não tão ágeis e consistentes).
     Os lançamentos da Microsoft se vinculam mais a empresa que ao mentor. Foram produtos que se tornaram necessários para muitos através de uma lenta dominação. já na Apple, cada novidade é previamente enunciada, tornada mistério, tratada como sagrada, e ainda mais, vinculada a um mentor, alguém que veio iluminar a massa cega com novidades.
     Ora, a isso podemos denominar "ídolo", ou seja, a materialização de uma série de processos sociais de dominação na figura de um mentor, como emblema de uma maquinaria que em seu íntimo extravasa seu gênio. Claro que o emblema não é aleatório, mas tem relação direta com o que simboliza. Jobs, segundo uma antiga reportagem (creio que da folha), associa seu nome a inúmeras patentes, sem ter participado diretamente de todas elas.
     Mesmo sendo um intelecto ou uma personalidade única, o ídolo não é "individual", mas uma produção, o umbigo de uma maquinaria cultural de afirmação e subjetivação. Sem Jobs, talvez ainda teríamos ipads, ipods, etc, mas esses teriam um processo de crescimento e morte muito mais lentos, seguiriam outros caminhos.

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Frase

O queer é a pura diferenca que se destaca mas não se enquadra.

O carater obsessivo como defesa frente a fascinação da perda de si


     A pulsão em seu devir é um processo de dessubjetivação, de perda de si. Não é a toa que esse movimento defensivo muitas vezes se apóia nos movimentos de territorialização e de estratificação, ou seja, realiza uma mescla de estruturações dinamicas religiosas, politicas, e principalmente de cunho moral e econômico, pois hoje a moralidade também tornou-se moeda, o que já se evidenciava pelas conexões entre a analidade e a rigidez econômica e moral que aparece no obsessivo.


  Assim, pode-se observar uma resistência pessoal e social contra o movimento de dessubjetivação implicados no devir. A fascinação do desejo, ou seja, o risco de entrar em um fluxo de fuga sem volta, é supervalorizada e leva a ataques intensos da maquinaria bélica do estrato e até a micro-facismos.



   Outra consideração a ser feita aqui é acerca das interpretaçoes de cunho social-centrada e de sujeito-centrada do comportamento do individuo. A norma religiosa não é uma reedição da lei paterna, Deus não é somente um Grande Pai, mas isso não significa que não haja uma rede de equivalências que os liguem entre si e atribuam um sentido que nevague em ambos sentidos. O pai também se constitui como tal tendo como modelo o de um Deus que a tudo sabe.



    Ao se compreender a subjetividade temos de pensar em arqueologia, não em genética. A arqueologia é o passado e a rede de relações que formam o fundo de um determinado fato, incluindo sua abertura ao futuro. Não há aí relação genetica, causa e efeito, mas uma rede diacrítica que destacam sentidos por compor o "entre" do percebido.



Como sempre, acabo em Merleau-Ponty.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Resumo de minha Qualificação

OLIVEIRA, V. H.; FURLAN, R. Desejo e Negatividade na filosofia de Merleau-Ponty. 2011. 85f. Qualificação (Mestrado) – Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto, Universidade de São Paulo, Ribeirão Preto, 2011. 

O presente trabalho visa discutir, a partir das últimas obras de Merleau-Ponty, a articulação entre sua noção de desejo e o conceito de negativo. A pesquisa buscou primeiramente traçar o que o filósofo denomina de arqueologia do contato primordial do corpo com o mundo, buscando a camada pré-objetiva de abertura perceptiva a ele, a sentidos que não foram constituídos pelo sujeito, que o ultrapassa e lhe determina vetores de sentido. Os temas arqueológicos enfocam as noções de instituição e passividade, a relação da corporeidade humana com a animalidade, e o esquema corporal como abertura estesiológica e libidinal ao mundo, questões que nos abre a dimensão transtemporal e transespacial do corpo, que arrasta consigo um passado que retoma e antecipa as possibilidades do porvir. A partir desses tópicos, compreende-se que o desejo é busca de ser o dentro do fora e o fora do dentro no sistema de trocas do corpo com o mundo, em sua união por meio de distanciamento e estruturação do contato do corpo com o mundo. É nesse sentido que se podem ressaltar algumas noções psicanalíticas, pois elas permitem apreender essa topologia arqueológica do contato, as estruturações de sentido que nos permitem significar o mundo, e que não são de autoria de uma consciência constituinte. Por outro lado, o trabalho discutiu a idéia de negativo na obra do filósofo, a partir de seu diálogo com Sartre, tratando-o a partir da noção de invisível, avesso do ser e que está em seu interior, como um oco eficaz que se manifesta à percepção pelo modo de ausência. Partindo dessas construções merleau-pontyanas, discute-se a relação desejo-negatividade, a partir da crítica que o filósofo faz a Sartre e à própria Psicanálise, que interpretam o desejo como, respectivamente, estando destinado ao fracasso, e de ser em sua essência falta por um objeto para sempre perdido. Em vez de tratar o “negativo do desejo” como fracasso ou falta, partimos da leitura realizada por dois comentadores para conceber a posição de Merleau-Ponty nessa questão. Por um lado, Barbaras, que salienta o desejo como inesgotável enquanto é modo de relação com o originário e, por outro, Zielinski, que coloca o desejo como relação com um mundo que é, em si, inesgotável. Assim, buscou-se compreender que é por excesso, e não por falta, que se dá a negatividade na relação desejante com o mundo. 

Palavras-Chave: Merleau-Ponty, desejo, negatividade, arqueologia do sensível, psicanálise.

Afogando-se na net

Venho há algum tempo buscando experimentar as interconexões que o Sistema Google de dominação virtual implementou. Como em artigo que publiquei (o único até agora...), pude estudar como a interface binária interfere até em nossa auto-imagem, ou seja, em como o sujeito se empenha na construção de si. E assim são as redes sociais, os maiores produtos atuais da internet. O sujeito ali se auto-constrói, conforme se vê, conforme seu passado lhe permite ver-se, mas as condições de construção são grandemente determinadas de fora, do meio subjetivante no qual nos inserimos diariamente, e que abriga o presente texto. à aqueles que buscarem experimentar, tendo desde já o risco de afogamento, pode olhar a barra superior do Google e, caso tenha uma conta, passar por seus variados serviços, e verificar suas conexões, podendo também associá-las com o Twitter e o Facebook. à quem ingressar nesta viagem, recomendo cautela.