sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Liberdade para se submeter ao que quiser!


Vou ser mais didático nesse post. Mais que isso, serei um tanto burro e distorcido, pois as coisas são bem mais complicadas do que exporei aqui.
Fico abismado, pessoalmente abismado, pela capacidade das pessoas se submeterem irracionalmente a ideais alheios, e se sentirem bem, como se fossem poderosos e vencedores. Compramos brigas por ideais, por crenças, e cada vez mais as superestruturas de poder das empresas capitalistas necessitam de menos esforços para conseguir convencer-nos de que o que ela querem é o que queremos.
Claro, essa indignação não é tão irracional assim, não me coloco de fora dessas influências. Isso faz parte de todo um mal-estar social que há muito penetra em cada sujeito. Mas acho que precisamos de alguns esclarecimentos, a fim de compreender o que se chama "processo de subjetivação", ou seja, como nos tornamos "sujeitos", pessoas que pensam e agem como se fosse por si mesma, por suas próprias decisões. Me desculpem os estudiosos filósofos se os termos estão incorretos, mas esse texto não se dirige a vocês.
Deleuze, filósofo francês, lendo Nietzsche, filósofo alemão, coloca que a vida é composta por forças que conflitam entre si, na afirmação de si mesmo. Seja na sobrevivência do mais forte, seja, no mundo humano, na busca de cada vez mais poder. Ora, em nossa sociedade, é o que vemos: pessoas por cima e pessoas que querem ficar por cima. entretanto, cada um faz isso de forma diferente:
 - Ativos: esses agem, atuam no mundo por suas próprias ações, sem que essas "se preocupem" com os "outros", nem para ajudá-los nem para prejudicá-los. Não confundam isso com o "egoísta": não agir conforme os outros não significa fazer coisas que causem mal a esses. quem prejudica o outro, porque quer ou porque está pensando em si mesmo, faz isso porque está a todo momento pensando no outro, no que ele faz de certo ou de errado. Esse é o egoísta, o que mais se preocupa com os outros. O ativo age e, se sua força vai de contra a alguém, não é por não gostar dele nem por querer prejudicá-lo. Pensem nas crianças que estão em um jogo: elas estão preocupadas e ganhar do outro, e cada uma aceita a disputa, estão preocupados com a disputa, e se divertem pela disputa. quando a disputa acaba, não sobram grandes ressentimentos.
 - Reativos: esses são os que se afirmam pela negação. são as pessoas que agem mostrando que são bons em oposição a tal pessoa ou instituição. Sempre comparando, sempre se dirigindo aos outros,eles precisam ver a derrota do outro para poder se sentirem campeões.
Claro que não existem dois tipos de pessoas. De certa forma, cada pessoa é um pouco ativo e um pouco reativo ao longo da vida. Não vou ficar aqui falando dos ativos, mas sim daquela parcela reativa que temos em nós.
Para que se sinta melhor que o outro, o reativo tem que buscar o que vê de errado nele, e assim criar um ideal de certo, de bom. Assim nasce a moral e os valores reativos. Isso é errado, isso é ruim... o bom mesmo é ser X!
As empresas, sem o saberem conscientemente, sabem disso. Vejam a Apple: Jobs dizia que em vez de se buscar a necessidade das pessoas, deve-se criar produtos que se tornem necessários. Criar desejos. As pessoas, assumindo o desejo que nunca teve, passa assim a pensar, fazer e valorar segundo modelos que nunca raciocinou, nunca refletiu.
As pessoas, muitas vezes, assumem ideais, crenças, partidos, e papéis sociais, e os defendem com unhas e dentes, mas nunca refletiram o que vêem de "seu" nesses papéis. Por exemplo, pessoas que fazem parte de grupos, empregos, partidos, e sentem emocionadas o quanto suas crenças são melhores e seu valores e seus produtos etc... Acabam por sentirem orgulho de viver em uma nação gloriosa, pertencerem a uma escola de renome...
Assim, vangloriando-se pelo status da instituição. Vem então algumas perguntas:
 - Qual é o benefício que essas pessoas possuem com isso?
 Vejam, se é o salário, se são bens materiais, se é o status que adquire por um diploma melhor... ao menos, a pessoa está defendendo a si mesma, a sua potência individual. Mas será que defender o quanto a instituição "é a maior/melhor do mundo" é somente uma forma de obter mais benefícios para si? que benefícios seriam esses? O status, o espírito de vitória que a coletividade possui ao defender brigas que não são suas... geralmente, essas instituições estão preocupadas com sua própria sobrevivência, e não hesita de trocar pessoas ou expulsar indivíduos para isso. Mas, enquanto esses ainda estão lá dentro, tais instituições buscam que este defenda seu ideal, o adote enquanto seu? Será que as pessoas conscientemente escolhem isso? e será que essa escolha lhe é benéfica? Será que sua vida depende de uma instituição que nem sempre está preocupada com seus membros?
Assim, podemos perceber que as pessoas acabam por defender o que não é ou nunca foi seu, mas que ganham, em benefício, a fantasia de que são melhores por isso, melhores por estarem com melhores. E agem, assim, reativamente, comprando brigas que na realidade só aumentar a força da instituição, e não a sua própria.
Em grandes instituições, poucos "lucram" com o poder da instituição, o resto é fantasia criada para contentar e convencer os que as defendem.
Se questione?
 - O que seu partido fez, direta ou indiretamente, para melhorar seu estilo de vida?
 - O que sua empresa fez para que você realize seus desejos, mesmo que estes não incluam a própria empresa (como por exemplo, fazer uma faculdade que melhoraria sua vida e o faria conseguir um emprego melhor FORA da instituição???)
 - O que seu time, religião, ideal científico, etc etc contribui para que você se realize?
ISSO NÃO É EGOÍSMO, PENSAR EM SI NÃO É DEIXAR DE PENSAR NOS OUTROS. AS INSTITUIÇÃO NÃO SÃO "OUTROS", SÃO MAQUINAS DE LUCRO. OUTROS SÃO AS PESSOAS AO SEU REDOR.
Assim, gostaria de deixar uma mensagem para as pessoas que compram brigas que não são suas, seja na internet, seja no emprego, etc. Mesmo essas bobagens como as de Wanessa Camargo e Rafinha Bastos, que enriquecem quanto mais comentamos sobre uma ínfima piada.
Obrigado pela atenção

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