quarta-feira, 5 de outubro de 2011

O carater obsessivo como defesa frente a fascinação da perda de si


     A pulsão em seu devir é um processo de dessubjetivação, de perda de si. Não é a toa que esse movimento defensivo muitas vezes se apóia nos movimentos de territorialização e de estratificação, ou seja, realiza uma mescla de estruturações dinamicas religiosas, politicas, e principalmente de cunho moral e econômico, pois hoje a moralidade também tornou-se moeda, o que já se evidenciava pelas conexões entre a analidade e a rigidez econômica e moral que aparece no obsessivo.


  Assim, pode-se observar uma resistência pessoal e social contra o movimento de dessubjetivação implicados no devir. A fascinação do desejo, ou seja, o risco de entrar em um fluxo de fuga sem volta, é supervalorizada e leva a ataques intensos da maquinaria bélica do estrato e até a micro-facismos.



   Outra consideração a ser feita aqui é acerca das interpretaçoes de cunho social-centrada e de sujeito-centrada do comportamento do individuo. A norma religiosa não é uma reedição da lei paterna, Deus não é somente um Grande Pai, mas isso não significa que não haja uma rede de equivalências que os liguem entre si e atribuam um sentido que nevague em ambos sentidos. O pai também se constitui como tal tendo como modelo o de um Deus que a tudo sabe.



    Ao se compreender a subjetividade temos de pensar em arqueologia, não em genética. A arqueologia é o passado e a rede de relações que formam o fundo de um determinado fato, incluindo sua abertura ao futuro. Não há aí relação genetica, causa e efeito, mas uma rede diacrítica que destacam sentidos por compor o "entre" do percebido.



Como sempre, acabo em Merleau-Ponty.

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