segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Resumo de minha Qualificação

OLIVEIRA, V. H.; FURLAN, R. Desejo e Negatividade na filosofia de Merleau-Ponty. 2011. 85f. Qualificação (Mestrado) – Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto, Universidade de São Paulo, Ribeirão Preto, 2011. 

O presente trabalho visa discutir, a partir das últimas obras de Merleau-Ponty, a articulação entre sua noção de desejo e o conceito de negativo. A pesquisa buscou primeiramente traçar o que o filósofo denomina de arqueologia do contato primordial do corpo com o mundo, buscando a camada pré-objetiva de abertura perceptiva a ele, a sentidos que não foram constituídos pelo sujeito, que o ultrapassa e lhe determina vetores de sentido. Os temas arqueológicos enfocam as noções de instituição e passividade, a relação da corporeidade humana com a animalidade, e o esquema corporal como abertura estesiológica e libidinal ao mundo, questões que nos abre a dimensão transtemporal e transespacial do corpo, que arrasta consigo um passado que retoma e antecipa as possibilidades do porvir. A partir desses tópicos, compreende-se que o desejo é busca de ser o dentro do fora e o fora do dentro no sistema de trocas do corpo com o mundo, em sua união por meio de distanciamento e estruturação do contato do corpo com o mundo. É nesse sentido que se podem ressaltar algumas noções psicanalíticas, pois elas permitem apreender essa topologia arqueológica do contato, as estruturações de sentido que nos permitem significar o mundo, e que não são de autoria de uma consciência constituinte. Por outro lado, o trabalho discutiu a idéia de negativo na obra do filósofo, a partir de seu diálogo com Sartre, tratando-o a partir da noção de invisível, avesso do ser e que está em seu interior, como um oco eficaz que se manifesta à percepção pelo modo de ausência. Partindo dessas construções merleau-pontyanas, discute-se a relação desejo-negatividade, a partir da crítica que o filósofo faz a Sartre e à própria Psicanálise, que interpretam o desejo como, respectivamente, estando destinado ao fracasso, e de ser em sua essência falta por um objeto para sempre perdido. Em vez de tratar o “negativo do desejo” como fracasso ou falta, partimos da leitura realizada por dois comentadores para conceber a posição de Merleau-Ponty nessa questão. Por um lado, Barbaras, que salienta o desejo como inesgotável enquanto é modo de relação com o originário e, por outro, Zielinski, que coloca o desejo como relação com um mundo que é, em si, inesgotável. Assim, buscou-se compreender que é por excesso, e não por falta, que se dá a negatividade na relação desejante com o mundo. 

Palavras-Chave: Merleau-Ponty, desejo, negatividade, arqueologia do sensível, psicanálise.

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