sexta-feira, 18 de maio de 2012

Ícaro submerso na luz

Despertar de Ícaro, Lucílio de Albuquerque (1877–1939).

"Eu quero mais é que me faça flutuar essa tal gravidade
forjar minhas asas nas duras
duras penas da verdade"
O Feliz Amor do Felino Ferido

Como voar sem erguer os braços,
atingir velocidades ultrassônicas e distâncias atmosféricas?
Como ser contido, como escolher o caminho do meio,
ser moderado, ter a parcimônia do entre-segundos?

Estou siderado!

Arregaço minhas mangas, abro minhas asas,
ignoro as físicas algorítmicas e frias, viajo direto à luz


Será que queimo de velocidade ou de temor?
Derreto minhas possibilidades em lágrimas ferventes,
chorando a dor em Technicolor, no vermelho-sangue das costas
Chibatadas solares
Piedades nebulosas
com suas gravitações newtonianas

Após o vértice dos sonhos,
no torpor de mil brilhos estelares
resvalo na luz com as pontas dos dedos,
sucumbo ao pecado
ao corpo
ao inferno,
...

Submerso e disperso na verdade ondulante e incerta
desfeito em duras penas:

Com vistas esbranquiçadas não mais vejo,
como se veria.

Nenhum comentário: