segunda-feira, 11 de junho de 2012

Poema: Ainda

Em meio à dureza das normatizações, me rompem tais emoções:

Ainda

Sobre o que ainda não foi dito
sobre o que muito já se disse, se sentiu, se sofreu
preservado feito fóssil nas densas sedimentações
depositadas sobre os corações, as rugas, as lágrimas.

Muito se nasce e se resseca na fértil terra de nossas almas,
que se muito arada há de necessitar de pousios
quando as chuvas acalentam as ressequidas rachaduras
quando o Nordeste se alumia em verde flora
e exala o perfume da bela rapariga
que se apronta, que acasala, que se achega nos ombros e sopra o ouvido

Arre! os tremores da pele que brotam em pêlos hirtos
são novas florestas que nascem ao comando teu,
as mesmas que nascem... e depois morrem, e se sedimentam em palavras
no corpo nu
e fertilizam as frases de palavras desvirtuadas
e brotam em dizeres tampouco puros
e abrem valas entre os lábios
de sons não professados, ainda
.

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