terça-feira, 12 de junho de 2012

Trecho: Serotoninas minhas

     Sofro, "pero no mucho". Sofro a medida dos fracos, em doses homeopáticas distribuídas durante o dia vide bula. Sofrimento fantástico, daqueles que alternam desculpas e se arremedam uns aos outros... o que se repete, sempre diferente, para não se habituar de hábitos já feitos, para diversificar a vida pública, para complementar o gozo...
     Ora, temos vergonha da felicidade mundana e gratuita, como pode-se nos dias burocráticos de hoje ser feliz por mero capricho hormonal? Há uma cota de sofrimento a ser paga, uma justificativa que valorize cada regojizo. Pago minha dívida, recolho os centavos em balas e as mastigo amargas e pungentes. Retiro o extrato bancário de meus lucros agonizantes, planejo o jogo astuto das altas e baixas do mercado, calculo milimetricamente os ganhos, e reverto as perdas em novos merecimentos.
       Capitalizar a dor, torná-la moeda negociável frente o excesso de culpa que a vida atribui aos fracos - essa administração é necessária à sobrevivência. 

     

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