quarta-feira, 26 de setembro de 2012

#morteaoemoticon



Estou farto da virtualização
da descorporificação da vida.
Não é na pele que se arrepia de prazer,
no estômago que dói a angústia?
Não são as pupilas que se dilatam no medo,
os músculos enrigecidos na raiva, o pênis na luxúria, o dedo na petulância?

Ora, se o que se vê na tela são máscaras,
que carnaval duvidoso é este,
que não vê atrás do papier-machê
as cicatrizes de uma longa vida?
que não vê que o beijo só é macio pela união das duas eternidades encarceradas
nos quatro lábios e duas línguas que se tocam,
as mãos que afagam acariciam toda uma vida,
realizada ou não?
À todos os que tomam bits por pessoas, cuidado,
pois assim acabam por esvanecerem-se no grande oceano das séries binárias,
e perdem-se de seus próprios corpos, prazeres e história,
tornam-se frios transistores do cotidiano.

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