quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Gozo das escaras do tédio

A existência zumbinesca do tedioso é circular, na repetição do mesmo. Tal imobilidade temporal, já que carnalmente perdeu a quarta dimensão, na estagnação da diferença, gera  escaras no tecido carnal, feridas de pura dor e gozo. O gozo do tédio é o fechamento cíclico de sua órbita sem centro, é manutenção de seu movimento em atrator estranho, e finalmente fecha o indivíduo na ausência da morte. Não que este é imortal, mas sua vivência, presa ao instante, perde a passagem do tempo e, sem sofrer da finitude, sem necessitar se defender dela (o que constituiria uma vida inautêntica ao menos), acaba solto no espaço-tempo, uma mônada em puro excesso ou falta de si, desprendida do tecido do Fora. Não se torna errante, como as rápidas multiplicidades que atravessam o tecido carnal e obrigam-no a costurar-se constantemente, mas habitam-na sem paixão nem terror, sem ódio nem violência. uma existência cujo termo "pacato" adquire extensão exorbitante.