terça-feira, 15 de abril de 2014

Sursum corda


Assim, porque és morno, e nem és quente e nem frio, 
vomitar-te-ei de minha boca. (Apocalipse, 3, 16)

Em nome da Mãe, do Filho, e do Espírito Guerreiro,
forjo minha fé em fogo e água,
reitero minha sina de ser triádico.

Sou Mãe de minha mãe,
acolho em meu útero estomacal tudo aquilo que queima e arde,
vivo nas fímbrias do sentido,
sendo opaco, insosso e deletério.

A cálida mão que afaga,
com suaves dedos pune amarga,
cintila sangue por entre as linhas
que recortam a certeza do ambíguo.

Como um machado que corta em ambos lados,
divido-me feito Janus,
cada face tende a um horizonte:
o corpo padece estático,
mas o espírito reitera-se ao infinito.

Amém.