domingo, 25 de maio de 2014

Melancholia (Lars von Trier)



Quando há vida lá fora, o melancólico tem morte dentro de si. Entretanto, quando é a morte que nos rodeia, o melancólico brilha, está sob sua luz azul natural. Já Eros, rodeado de azul, fica absorto na depressão, na angústia da finitude. Jasmine não é diferente de Claire, nem esta daquela, ambas são o que são frente ao mundo que as rodeia. O que parece falta de vida no olhar de Jasmine, no final, que nem consegue se angustiar perante a morte iminente, na verdade é a paz daquela que encontrou finalmente um mundo no qual tudo lhe faz sentido. O Nada é seu mundo, é o que dá sentido ao seu ser. Por isso Melancolia é um Planeta. O depressivo é o estado interno, a química, mas a Melancolia não está no sujeito, mas sim no redor, no ambiente, no gosto de cinza daquilo que se ama, no descolorido das coisas, e na certeza de que o fim é o que nos dá sentido.

Na física quântica, quando matéria e antimatéria se colidem, ambas se destroem, viram pura energia. Se só há vida na Terra, como previu Justine, Ela mesma se identifica com Eros, enquanto Melancolia é seu oposto, Tânatos. Desse encontro, não resta nem vida nem morte... só cinzas...