sábado, 11 de abril de 2015

Physis da alma


Saturno devorando seu filho, Goya



Amarro-me atravessado na angústia, prendo-me a universos distintos que rotacionam em sentidos opostos. Cindido ao meio,  eu e eu e eu e eu e outro e outro e outro, e nada, e algo. A relatividade einsteniana é intrigante, pois seu efeito sobre a angústia é tão pungente quanto o que se dá a grandes astros. Quanto mais o peito se torna denso, maior é a distorção de meu espaço-tempo, os ponteiros se lentificam em uma eternidade por segundo, os movimentos transacionais se repelem através de um processo inflacionário que torna-me cada vez mais rarefeito.

Quem dera minh'alma comprimisse nessa dor lancinante, e que dessa singularidade um universo inteiro nascesse sob as regras quânticas de meu tédio?

domingo, 5 de abril de 2015

O fim da Valsa, de Viena e, possivelmente, do antigo freudismo

A moda agora é interromper as valsas de casamento por um novo ritual de acasalamento: primeiro, as mulheres dançam o funk das poderosas, indicando que o domínio fálico acabou. Posteriormente, os homem mostram que a única coisa que atraiu suas mulheres é o seu "lepo-lepo"... depois são esclarecidos os novos termos das relações contemporâneas, nos quais se dançam junto todas as outras formas de sexualidade, incluindo a liberação do kuduro, a relatividade dos "macho-man" fora do armário de clausura heteronormativo, e no fim, tudo o que sobre é o poder dos camaros amarelos e dos rituais capitalísticos-sexuais de dominação recíproca dos sexos sob a égide do capital.