sábado, 11 de abril de 2015

Physis da alma


Saturno devorando seu filho, Goya



Amarro-me atravessado na angústia, prendo-me a universos distintos que rotacionam em sentidos opostos. Cindido ao meio,  eu e eu e eu e eu e outro e outro e outro, e nada, e algo. A relatividade einsteniana é intrigante, pois seu efeito sobre a angústia é tão pungente quanto o que se dá a grandes astros. Quanto mais o peito se torna denso, maior é a distorção de meu espaço-tempo, os ponteiros se lentificam em uma eternidade por segundo, os movimentos transacionais se repelem através de um processo inflacionário que torna-me cada vez mais rarefeito.

Quem dera minh'alma comprimisse nessa dor lancinante, e que dessa singularidade um universo inteiro nascesse sob as regras quânticas de meu tédio?

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