terça-feira, 27 de outubro de 2015

Carência do espírito. Tombamento da alma.

O corpo e o Verme, sozinhos, comentam cotidianamente os restos na superfície. Prazeres, o Verme proclama; e come. São saliências de sua conduta, falta de pudores. O corpo, tímido, afunda-se entre flores, protege-se com véus. Faz-se de difícil às persuasões do Verme, estando quase inebriado com seu sorriso faceiro e malandro.

Cede. Perpetram-se os antigos desejos, carcomem-se sonhos e digerem-se memórias. Sobram os cabelos, dizem, mas quanto tempo esse resistiria às vicissitudes da moda?

Enfastiado, o Verme deita-se ao lado de seus restos. Arrota satisfações fúteis, comenta do tempo, olha de soslaio o sorriso eterno que deixou estampado ao lado. Felicita-se por sua totipotência e escorrega por aí. Nem telefone, ao menos carícias matutinas. Somente rasteja-se à espera de novos apetites.


Já não nos dissecam como antigamente.

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